Relatórios da Polícia Federal (PF), divulgados na última quinta-feira (30) pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), expõem trocas de mensagens reveladoras entre Eduardo Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Este cenário faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes envolvendo a instituição financeira de Daniel Vorcaro.
As investigações acerca de Jaques Wagner e seus familiares foram intensificadas na nona fase da operação, que ocorreu no mês anterior. Mendonça decidiu levantar o sigilo das evidências, revelando detalhes alarmantes sobre a corrupção e propinas associadas ao senador.
As mensagens indicam que Eduardo Martins pressionou Augusto Lima sobre o pagamento de parcelas de um imóvel avaliado em R$ 2,45 milhões, supostamente oferecido como propina ao senador. No dia 1º de setembro de 2025, Eduardo, conhecido como Dudu, iniciou a conversa perguntando a Augusto sobre a previsão de pagamento de valores pendentes.
A conversa seguinte, datada de 4 de setembro, indicou ainda mais urgência na cobrança, com Dudu alertando que os boletos venceriam no dia seguinte, evocando uma situação crítica.
O diálogo entre os dois foi caracterizado por um tom de familiaridade, com Augusto chamando Eduardo de “irmão” e tentando assegurar que estava cuidando da questão de forma prioritária. O ex-sócio do Master mais tarde adicionou que estava enfrentando dificuldades para resolver a situação financeira crítica, que claramente levantou alertas sobre a origem dos fundos.
A Operação Compliance Zero, que já mapeou elementos de fraudes financeiras, foi deflagrada em junho com foco explícito em Jaques Wagner. A PF identificou pistas indicando o suposto recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, não apenas diretamente, mas também por meio de familiares e estruturas societárias ligadas ao Banco Master.
O relatório confirmou que o senador teve acesso a uma série de benesses, incluindo transporte em aeronaves de Augusto e até ingressos para eventos de alto prestígio, como um show da cantora Taylor Swift, totalizando cerca de R$ 63.339. Isso ilustra a magnitude das relações polêmicas entre os envolvidos e levanta questões sobre a ética no financiamento político.
Reações e Declarações de Jaques Wagner
Em resposta às acusações, Jaques Wagner declarou ser inocente e afirmou que as investigações serviriam para provar sua não implicação em qualquer irregularidade. Ele externou sua confiança de que conseguiria provar sua inocência, apesar dos desafios enfrentados pela longa duração do processo investigativo.
Wagner enfatizou a importância de se manter focado em sua candidatura nas próximas eleições, que ocorrem em dois meses, e pediu compreensão ao público para que fossem feitas audiências do judiciário sem qualquer manipulação ou pressão externa. O senador também se absteve de comentar o caso mais especificamente, conforme recomendação de sua equipe legal.
Conclusão
A Operação Compliance Zero expõe uma teia complexa e preocupante de corrupção que abrange figuras políticas e empresariais. Com a revelação de mensagens que insinuam práticas de corrupção, o caso continua a evoluir e promete trazer mais repercussões políticas e sociais.