Um servidor público da Infraero admitiu ser o responsável pela filiação fraudulenta do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Partido Missão. Em depoimento à Polícia Federal (PF) em Belo Horizonte, Demóstenes Porto Fagundes classificou a ação como uma “brincadeira de mau gosto”. A filiação irregulada, revelada por meio de um blog em agosto, quase impediu Bolsonaro de registrar sua candidatura ao Palácio do Planalto no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A descoberta da fraude levou a campanha de Flávio a acionar rapidamente o TSE para que cancelasse o registro, ato que foi acatado pelo ministro Kassio Nunes Marques.
O Partido Missão, por sua vez, não reconheceu a fraude, afirmando que não tem interesse em acolher um parlamentar envolvido em acusações de corrupção.
Demóstenes, que se apresentou espontaneamente à PF apenas oito dias após a habilitação falsa, revelou em seu depoimento que inseriu informações falsas no sistema de filiação do partido. Ele explicou que gerou um número de CPF aleatório e criou um endereço fictício, denominado “Rua dos Bandidos”, no “Bairro Miliciano”.
Essa inserção foi possível devido à falta de validação no campo de preenchimento.
“Minha intenção era que o Partido Missão enviasse material de campanha para Flávio. Apenas fiz uma brincadeira de mau gosto”, defendeu Demóstenes.
Outros mecanismos legais foram ativados do lado do partido, que destacou ter enviado comunicações ao gabinete de Flávio sobre o incidente, sem obter retorno.
Após seu depoimento, o celular de Demóstenes foi apreendido para averiguações, e a PF seguiu com as investigações para apurar mais sobre a fraude. A Justiça Eleitoral confirmou que não houve ataque cibernético, mas sim o mau uso do sistema por alguém com credenciais da legenda.
A situação trouxe à tona não apenas as fraudes eleitorais, mas também o estado das disputas políticas no Brasil, onde a luta entre candidatos se intensifica, especialmente entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições para a presidência.
O Partido Missão reconheceu que foi vítima de uma fraude e espera que as investigações avancem para que o responsável seja punido. Essa situação não apenas expôs vulnerabilidades nos processos de registro eleitoral, mas também aumentou a tensão nas campanhas em um momento crítico da corrida presidencial.
O senador Flávio Bolsonaro, enquanto isso, utilizou as redes sociais para se defender, alegando que forças opositoras estariam tentando bloquear suas iniciativas políticas.
Ao reagir a esta e outras frustrações, ele afirmou que o sistema tentaria impedi-lo, mas garantiu que não seria desacelerado.
O TSE, por sua vez, suspendeu temporariamente o processamento de novos registros após detectar também uma tentativa de alteração na filiação do presidente Lula, o que ilustra a intensidade da disputa e a vigilância necessária em um ambiente político tão polarizado. Essas fraudes eleitorais são um lembrete da importância de um sistema eleitoral robusto e resiliente, que resguarde a integridade das candidaturas e do processo democrático no Brasil.

