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Flávio Bolsonaro Perde Foro, Mas Dark Horse Continua na Mira

Derrotado nas urnas no último domingo por uma diferença superior a 4 milhões de votos, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se prepara para perder a prerrogativa do foro privilegiado com o término de seu mandato como senador. No entanto, as investigações em torno do controverso financiamento do filme “Dark Horse” parecem continuar na mira do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa avaliação foi feita por integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) ouvidos de forma reservada.

Segundo o atual entendimento do Supremo, o foro privilegiado se mantém para autoridades nos casos de crimes cometidos durante o exercício das funções, mesmo que o investigado não esteja mais no cargo.

Um exemplo recente é o caso de Jair Bolsonaro, que foi julgado pelo STF por ações que aconteceram quando ele ainda ocupava a presidência da República.

Além de Flávio Bolsonaro, o inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse” também está direcionado para o deputado federal reeleito Mário Frias (PL-SP), que continuará na Câmara por mais quatro anos e detém foro no STF. A investigação também inclui Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, que enfrenta um inquérito decorrente do caso Banco Master.

Recentemente, outra apuração no Supremo começou a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que envolvem Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio Bolsonaro. Este caso é particularmente relevante, pois está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que se tornou um alvo frequente dos pedidos de impeachment apresentados por aliados de Bolsonaro no Senado.

A investigação correspondente à cinebiografia de Jair Bolsonaro, iniciada em julho pelo ministro André Mendonça, está analisando possíveis crimes como corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais.

Uma das linhas de investigação da Polícia Federal envolve o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, cuja movimentação financeira para a produção de “Dark Horse” é alvo de scrutinização. A PF investiga se os recursos enviados para os Estados Unidos realmente foram usados na produção do filme ou se foram desviados para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro, que se encontra em autoexílio no exterior desde fevereiro de 2025.

Um dos trabalhos que devem ser concluídos nos próximos meses é a perícia contábil realizada pela PF nos contratos e despesas da Go Up Entertainment, a produtora do filme.

Apesar de a Go Up apresentar mais de 20 mil páginas de documentos à PF, a análise completa ainda não foi concluída. Os peritos da PF estão se concentrando em verificar a compatibilidade entre os gastos declarados, especificamente no que diz respeito ao laudo privado apresentado pela Go Up, e os contratos de câmbio usados para a transferência de recursos ao Brasil.

As investigações também pretendem verificar o fluxo financeiro de US$ 12,3 milhões, enviado ao fundo Havengate pelo operador Antônio Carlos Freixo Junior, que, conforme documentos, foi solicitado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Aspectos críticos da investigação giram em torno da natureza dos sete repasses feitos ao Havengate e como esses valores se conectam às finanças da Go Up para a realização do filme.

Segundo dados apresentados na perícia, 72% dos gastos com o filme ocorreram nos Estados Unidos, apesar da produção ter sido filmada no Brasil. Essa discrepância levantou questionamentos entre especialistas do setor sobre a racionalidade dos custos atribuídos ao projeto.

Com uma série de indícios e uma investigação aprofundada em andamento, o futuro de Flávio Bolsonaro e o desdobramento do caso “Dark Horse” ainda são incertos. Embora ele possa perder a proteção do foro privilegiado, o impacto das investigações que envolvem seu nome e suas associações pessoal e profissional pode emergir de forma ainda mais substancial nos próximos meses, colocando em xeque as articulações políticas e as narrativas da família Bolsonaro. Essa situação reflete não apenas o atual clima político do Brasil, mas também ressalta a complexidade e a interligação da política e do crime no ambiente contemporâneo.

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