A campanha de Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, está lançando uma ofensiva para ampliar sua presença digital em um cenário onde seu desempenho, especificamente nas redes sociais, deixou a desejar. Em um momento de inquietação, a equipe de Flávio busca organizar uma rede de aliados influentes, com o objetivo de responder às estratégias da oposição, particularmente aquelas ligadas ao presidente Lula, do PT.
O foco da estratégia é escalar parlamentares com grande alcance nas redes para que, em conjunto, possam confrontar ataques, disseminar mensagens do núcleo da candidatura e dividir temas específicos entre eles. Essa abordagem visa reduzir a dependência de Flávio para conduzir as batalhas no ambiente virtual, permitindo um fluxo mais consistente de informações e reações.
Um ponto delicado para a campanha tem sido a fraqueza na conversão de capital digital que o bolsonarismo acumulou ao longo dos anos. Conforme dados de uma recente pesquisa da Quaest, Flávio Bolsonaro demonstrou um desempenho digital muito inferior ao de sua esposa, Michelle, nas redes sociais, o que gerou preocupações sobre sua capacidade de mobilizar apoio online.
Enquanto Flávio atingiu apenas 1,6 milhão de visualizações em seus vídeos, Michelle alcançou 12,7 milhões, evidenciando uma clara disparidade que amplifica a sensação de que Flávio não consegue se capitalizar da mesma forma que sua família.
Embora a direita esteja presente nas redes, com dados do Instituto Democracia em Xeque indicando que a extrema direita respondeu por 52% a 61% das publicações durante um período analisado, a esquerda conseguiu organizar suas mensagens de forma mais eficaz. Essas publicações frequentemente se concentraram em ataques direcionados a Lula, além de temas pertinentes à escolha de Alfredo Gaspar como candidato a vice e questões envolvendo investigações sobre o INSS.
A situação é complexa, especialmente considerando a fragmentação interna na campanha de Flávio. O entendimento de Letícia Capone, doutora em Comunicação Social e diretora de Pesquisa do Instituto Democracia em Xeque, é que essa dificuldade está relacionada a reveses e conflitos internos que marcam a trajetória da candidatura. Desde a ambiguidade inicial sobre quem de fato seria o candidato da família Bolsonaro até as divagações internas no PL, isso tudo influenciou a coesão da campanha.
Exemplos disso se refletem em mobilizações diferentes com relação a eventos, onde aliados como Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer concentraram esforços em manifestações em seus próprios estados, demonstrando que as agendas da campanha não estão sendo seguidas de forma uniforme.
Os esforços para reestruturar a presença digital incluem a alocação de parlamentares como Guilherme Derrite para abordar questões de segurança pública e Daniella Marques para discutir pautas relacionadas às mulheres. Apesar disso, a família Bolsonaro expressa preocupações sobre o engajamento de aliados que, mesmo acumulando milhões de seguidores, acabam atuando em agendas pessoais, dificultando a operação coordenada em torno da candidatura de Flávio.
Na contracorrente, a equipe de Lula se destaca ao conseguir organizar seus aliados com eficiência, utilizando uma abordagem que distribui embates entre vários personagens, evitando que o presidente seja o único a arcar com a responsabilidade de cada confronto. Este contraste em organização digital e na mobilização de apoio pode ser fundamental para o desenrolar da campanha presidencial.
Por fim, a contradição interna entre os membros da família Bolsonaro ressalta a dificuldade que a direita enfrenta nas redes. Eduardo Bolsonaro mantém embates públicos com outros aliados, evidenciando uma falta de coesão que pode prejudicar as tentativas de transformar a defesa de Flávio em uma agenda compartilhada. Essa intenção de derrotar o PT, embora atual, é frequentemente nublada por interesses e estratégias díspares entre os aliados, dificultando um direcionamento focado e eficaz dentro da horizontes digitais.