O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem de gratidão a Fidel Castro, no centenário de seu nascimento, celebrado em Havana. Em sua declaração, Lula destacou como a sabedoria e o incentivo de Castro influenciaram sua trajetória política. Ele ressaltou: “Se hoje estou pela terceira vez à frente da presidência do Brasil, é graças ao estímulo e à sabedoria de Fidel Castro”. Sua mensagem foi lida pelo teólogo Frei Betto durante um evento especial realizado na capital cubana.
Além de manifestar gratidão, Lula enviou uma mensagem de força e esperança ao povo cubano, especialmente em tempos de pressão econômica e diplomática enfrentada pelo regime cubano, imposta em grande parte pelos Estados Unidos. O presidente brasileiro expressou seu desejo de que “a fraternidade e a justiça persistam em meio às adversidades.”
Lula e Fidel Castro compartilharam uma amizade que transcendeu fronteiras políticas. Juntos, em 1990, fundaram o Foro de São Paulo, uma organização que visa promover ideias de esquerda na América Latina e unir líderes dessa corrente política. Ao longo dos anos, os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) têm historicamente apoiado o regime cubano, tanto ideológica quanto financeiramente.
Um exemplo significativo foi a ajuda brasileira ao projeto de infraestrutura no Porto de Mariel, que recebeu um financiamento superior a US$ 600 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Contudo, em 2018, o governo cubano parou de efetuar os pagamentos desse empréstimo, evidenciando as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país.
Lula já havia expressado suas condolências quando Fidel Castro faleceu em 2016, referindo-se a ele como “o maior de todos os latino-americanos”. Em uma declaração emocionada, o ex-presidente disse: “Sinto sua morte como a perda de um irmão mais velho, de um companheiro insubstituível, do qual jamais me esquecerei”.
Entretanto, o apoio de Lula ao regime castrista tem gerado controvérsias e críticas, especialmente pela classe política dos Estados Unidos. O deputado americano Carlos Antonio Giménez, por exemplo, utilizou suas redes sociais para criticar a postura de Lula, afirmando que ele apoia “todas as ditaduras comunistas em nosso hemisfério” e a necessidade de responsabilizá-lo.
Em uma de suas postagens, o deputado republicano fez uso de uma imagem gerada por inteligência artificial em que Lula aparece vestindo as roupas que Nicolás Maduro usava durante sua captura em uma operação militar em Caracas. Com a legenda “O que o espera…”, a provocação expõe a tensão política entre as potências e a polarização que envolve os líderes latino-americanos.
A data marcante do centenário de Fidel Castro não só recorda sua figura histórica, mas também provoca um debate intenso sobre o futuro da esquerda na América Latina e o papel que o Brasil, sob a liderança de Lula, poderá desempenhar nessa nova fase política. As reações globais ao discurso e as tensões entre os governos seguem refletindo as divisões ideológicas que perduram no continente.