Em um desdobramento crucial no caso das joias apreendidas que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro, a Receita Federal protocolou um pedido formal solicitando a transferência da custódia dos bens. Atualmente sob a guarda da Polícia Federal (PF), os artefatos, cuja origem e destinação são alvo de investigação, são essenciais para que o órgão fiscal possa dar início ao procedimento administrativo de perdimento.
A Urgência da Custódia para o Processo Fiscal
A solicitação da Receita Federal visa garantir que o processo fiscal de perdimento seja devidamente instaurado e conduzido. A posse física dos bens é um requisito para que a tramitação administrativa possa avançar, permitindo a análise detalhada e a valoração dos itens. Essa etapa é fundamental para a correta aplicação da legislação aduaneira e tributária, que prevê a incorporação de bens de origem ilícita ou irregular ao patrimônio da União.
O procedimento de perdimento é um rito legal que, uma vez concluído, pode culminar na transferência definitiva da propriedade dos bens para o Estado brasileiro. A iniciativa da Receita, portanto, não é meramente burocrática, mas uma ação estratégica para assegurar a continuidade e a efetividade da apuração sobre a legalidade da posse e entrada dessas joias no país.
O Papel de Alexandre de Moraes na Decisão
A decisão sobre a transferência da custódia das joias apreendidas recai agora sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como relator do inquérito que investiga a conduta do ex-presidente, Moraes detém a prerrogativa de autorizar ou negar a requisição da Receita Federal. Sua deliberação é aguardada com expectativa, pois definirá o próximo passo no tratamento legal desses bens e na evolução da investigação.
A autorização do ministro é vital para desatar o nó burocrático, permitindo que a Receita Federal assuma o controle físico e legal das joias, habilitando-a a prosseguir com as etapas subsequentes do processo de perdimento. A colaboração entre os diferentes órgãos de controle é crucial para a lisura e a celeridade dos procedimentos jurídicos e administrativos.
O Risco de Prescrição e a Relevância do Pedido
Um fator de extrema urgência que permeia a solicitação da Receita Federal é o risco iminente de prescrição. Informações recentes indicam que o prazo para a conclusão de determinadas etapas da apuração pode estar se esgotando. A prescrição implicaria na perda da capacidade do Estado de punir ou de efetivar o perdimento dos bens, o que tornaria inócuas as investigações realizadas até o momento.
A urgência em obter a custódia das joias reflete a necessidade de agir rapidamente para evitar que o processo caduque, garantindo que a responsabilização e o destino final dos bens sejam devidamente estabelecidos conforme a lei. A decisão do ministro Alexandre de Moraes será, portanto, um marco não apenas para o prosseguimento do caso das joias, mas também para a salvaguarda da aplicação da justiça e do interesse público na apuração de ilícitos.

