A empresária Roberta Luchsinger, frequentemente associada a escândalos políticos, é agora um nome recorrente nas investigações da Polícia Federal (PF) sobre tráfico de influência no governo Lula. Amiga de Fábio Luís Lula da Silva, Lulinha, e herdeira de um banqueiro suíço, sua trajetória política começou a turbulência há poucos anos e parece estar longe de terminar, principalmente após a operação que culminou em mandados de busca e apreensão em sua residência no final de 2025.
Ela foi candidata a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2018, mas não conseguiu se eleger. Desde então, a PF a identificou como uma figura central em um suposto esquema relacionado a contratos públicos e operações que envolvem influências indevidas.
Recentemente, foi revelado que Luchsinger teria feito um pagamento significativo ao ex-chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Este pagamento, segundo Marcola, foi um empréstimo. No entanto, a PF não descarta a possibilidade de que tenha havido uma transação ilícita, especialmente em um contexto onde seu nome está vinculado a uma série de visitas a gabinetes ministeriais durante o período em análise.
Com registros de visitas ao Palácio do Planalto e a diversos ministérios, sua atuação como consultora revela um padrão de tentativa de influência em decisões significativas. No total, foram constatadas pelo menos 40 interações com membros da administração entre 2023 e 2025.
Um dos consultores que recorria aos serviços de Luchsinger era Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que tinha como objetivo a assinatura de um contrato milionário com o Ministério da Saúde para o fornecimento de medicamentos à base de cannabis. Este projeto não se concretizou, mas conversas entre Roberta e Antunes, que vazaram para a mídia, revelaram a possibilidade de se utilizar a nova lei de licitações para contornar procedimentos padrão.
O envolvimento próximo de Luchsinger com Lulinha ainda gera muitas especulações. Ela afirmou ter apresentado Lulinha a Antunes e uma vez expressou a curiosidade do filho do presidente sobre tratamentos com cannabis destinados a um familiar. Esse relacionamento pode ter potencialmente afetado decisões políticas devido à natureza do projeto discutido.
Roberta Luchsinger se defende afirmando que é vilanizada pela mídia e pelas investigações, alegando que sua amizade com Lulinha e sua condição financeira não devem prejudicar sua reputação. Em sua visão, as tentativas de associar seu nome a práticas ilícitas são uma tentativa clara de desqualificar sua trajetória profissional.
Em depoimentos à PF, destacou que os pagamentos feitos por Antunes eram legítimos e tinham relação com seu trabalho de consultoria. Sua defesa é robusta, citando a falta de provas concretas que a incriminem e lamentando a forma como ela tem sido tratada no âmbito público.
As investigações em andamento podem dar origem a novos desdobramentos políticos, especialmente com a aproximação das eleições. A PF também sugere que Luchsinger tinha acesso a informações privilegiadas, o que pode complicar ainda mais sua situação. Sua capacidade de influenciar decisões políticas, portanto, é um fator de preocupação tanto para a classe política quanto para os órgãos fiscalizadores.
Além disso, seu nome agora está vinculado a um esquema de lavagem de dinheiro e movimentação financeira suspeita, conforme apontado nas decisões judiciais recentes. Essa nova camada de complicações não só ameaça a liberdade da empresária como pode repercutir em investigações mais amplas sobre o governo atual.
Enquanto isso, tanto a defesa de Lulinha quanto a de Antunes se mostram cada vez mais preocupados com as direções que os novos inquéritos estão tomando e a possibilidade de que seus nomes também sejam arrastados para esse emaranhado de suspeitas.