Nos últimos dias, o debate político em Mato Grosso do Sul tem sido intensificado pela discussão em torno da Rota Bioceânica. Este projeto logístico ambicioso conecta o Brasil a outros países da América do Sul e está diretamente ligado às propostas dos candidatos ao governo estadual.
Dos oito planos de governo que foram protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as Eleições de 2026, seis mencionam explicitamente a Rota Bioceânica, evidenciando a importância do assunto para a agenda política local.
Os únicos candidatos que não abordaram o tema foram Daniel Lemes (PCO) e Jeferson Bezerra (Agir).
A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário internacional que se estende por mais de 2,4 mil quilômetros, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico através de vias que passam pelo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
O objetivo principal deste projeto é facilitar o transporte de cargas entre os países do Mercosul e os mercados asiáticos, reduzindo assim o tempo e os custos envolvidos.
A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai), é uma das principais estruturas do projeto, com 1.294 metros de comprimento e 20,10 metros de largura.
Os planos de governo são documentos essenciais que mostram aos eleitores as prioridades de cada candidato. No caso da Rota Bioceânica, cada proposta apresenta diferentes enfoques e estratégias.
O candidato Delcídio do Amaral destaca a necessidade de um protagonismo do governo estadual na viabilização das estruturas para a Rota, prometendo garantir a operação plena da Ponte da Rota Bioceânica, além de coordenar ações com o governo federal. Ele ressalta a importância da promoção internacional para atrair turistas e investimentos.
Já o atual governador Eduardo Riedel (PP) vê a Rota como um ativo consolidado de sua gestão, propondo integrá-la a uma matriz logística que inclua rodovias, ferrovias e hidrovias.
Entre suas iniciativas, ele menciona a elaboração do Programa Estadual de Logística e Transportes (PELT).
Fábio Trad critica o desempenho atual da Rota, apontando gargalos rodoviários e propondo soluções como a duplicação de trechos rodoviários e a criação de centros de distribuição. Ele enfatiza a necessidade de atrair investimentos voltados para a produção de bens de maior valor agregado.
João Henrique Catan propõe transformar a Rota em um instrumento de desenvolvimento regional, ao invés de um simples corredor de passagem. Sua proposta inclui melhorar a infraestrutura urbana e direcionar a formação profissional para as demandas geradas pela Rota.
O plano da coligação PSOL-REDE menciona a Rota Bioceânica apenas em um breve trecho, focando mais na divulgação de programas federais voltados para o estado.
A Rota Bioceânica não é apenas um projeto de infraestrutura; trata-se de um potencial vetor de desenvolvimento econômico para Mato Grosso do Sul.
Além de facilitar o comércio, a Rota pode impulsionar o turismo e aumentar as oportunidades de emprego na região.
As promessas dos candidatos refletem uma busca por soluções que podem transformar a economia do estado, mas também levantam questões sobre a necessidade de articulação entre os diferentes níveis de governo e da sociedade civil.
A mobilização e o engajamento da população serão fundamentais para influenciar o futuro da Rota Bioceânica, sejam no que tange às promessas feitas durante as campanhas ou à efetiva implementação das iniciativas propostas.
A atenção dos eleitores está voltada para como cada candidato pretende transformar a Rota em um ativo que não apenas beneficie o comércio, mas que também contribua para o bem-estar econômico da população sul-mato-grossense.