Na manhã desta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, a B3, bolsa de valores brasileira, assistiu a uma queda acentuada nas ações de empresas do setor de varejo. Este movimento se dá logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorrida no dia anterior.
As ações de grandes varejistas como Magazine Luiza e Lojas Renner foram algumas das mais afetadas. Por volta das 10h57, as quedas foram alarmantes: Magazine Luiza despencava 48,38%, enquanto Lojas Renner apresentava um recuo de 38,07%.
Outras companhias, como Azzas 2154 e Assaí, também registraram quedas significativas, de 37,3% e 48,41%, respectivamente. Além disso, os papéis do Mercado Livre, listados na Bolsa de Nova York, perderam 12,75%.
Essa tendência de queda é emblemática, considerando o impacto direto que a alta dos juros tem sobre o desempenho dos papéis de varejo, que são usuais em períodos de instabilidade econômica.
O aumento nas taxas de juros é uma preocupação constante para o setor varejista, que frequentemente depende de crédito e financiamento para impulsionar suas vendas. Na mesma manhã em que as ações despencavam, os juros futuros disparavam, ultrapassando inusitadamente a marca dos 16% para os vencimentos mais longos.
Para comparação, a taxa básica de juros está estipulada em 13,75% ao ano.
A incerteza quanto à política econômica sob a reeleição de Lula intensifica os temores dos investidores. As ofertas de crédito mais caras tendem a desacelerar o consumo, um dos pilares do setor varejista, trazendo preocupações sobre a viabilidade de crescimento em um cenário de elevada carga tributária e restrições financeiras.
Além disso, o dia também trouxe notícias vinculadas ao mercado farmacêutico, onde ações de empresas do setor recuaram. Isso coincide com um anúncio do Mercado Livre relacionado à ampliação de sua oferta de remédios, destacando a competitividade acirrada e as incertezas sobre regulação que permeiam o setor.
Em contrapartida, ações do Magazine Luiza tiveram um breve rali com um aumento de mais de 20% após um recente acordo com o Mercado Livre.
Esses movimentos ilustram a volatilidade que caracteriza o mercado e as respostas rápidas dos investidores às notícias e desenvolvimentos políticos e econômicos.
Com a queda das ações, muitos analistas começam a reavaliar suas previsões sobre o setor de varejo, deixando no ar a pergunta sobre a sustentabilidade do crescimento futuro. As recuperações judiciais durante a campanha eleitoral se tornaram munição para os rivais de Lula, levantando questionamentos acerca da saúde financeira de várias empresas do ramo.
Diante desse cenário desafiador, o setor varejista brasileiro pode enfrentar um período de adaptação e reestruturação conforme os novos desafios políticos e econômicos se desenrolam nos próximos anos.

