José Antônio Pires de Souza, conhecido popularmente como Zé Bocão, foi exonerado do seu cargo de assessor no gabinete do deputado estadual Lídio Lopes, do partido Avante, após ser preso em uma operação policial que levantou suspeitas sérias sobre suas atividades. A exoneração, que retroagiu a 1º de outubro de 2026, foi sancionada por Gerson Claro, presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).
A prisão de Zé Bocão ocorreu em 30 de setembro em Iguatemi, município de Mato Grosso do Sul. Durante a abordagem policial, ele foi flagrado com a quantia impressionante de R$ 127 mil em espécie. Além do valor elevado, o assessor tentou oferecer suborno, como relatado pelas autoridades, o que complicou ainda mais a situação legal do ex-servidor.
Era sabido que José estava a caminho de Mundo Novo, transportando não apenas dinheiro, mas também materiais de campanha do deputado Lídio Lopes, que concorria à reeleição naquela ocasião. A presença dos materiais eleitorais na situação gerou mais indagações sobre a origem de tais valores e o contexto do transporte.
Após a sua detenção, José foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Iguatemi. Um detalhe curioso é que, apesar de ser liberado no dia 2 de outubro após o pagamento de fiança, a situação médica do assessor — um homem de 71 anos com problemas de saúde — foi uma das justificativas apresentadas pela defesa para solicitar a liberdade provisória.
Durante a audiência, a defesa de Zé Bocão argumentou que não havia fundamentos suficientes para a decretação da prisão preventiva, além de destacar o seu estado de saúde, que inclui um comprometimento da coluna vertebral. Conforme a juíza Sabrina Rocha Margarido João, diante das condições apresentadas, foi possível conceder a liberdade sob condições.
A Polícia Militar agiu de acordo com uma denúncia recebida sobre um veículo que estaria trafegando em alta velocidade, o que despertou a atenção das autoridades. O trecho em que José foi abordado, segundo a polícia, é tradicionalmente usado para o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas, o que adiciona um contexto preocupante à situação.
Durante a revista do veículo de Zé Bocão, os policiais encontraram não só o dinheiro, mas também diversos materiais de campanha, como santinhos e faixas relacionadas à candidatura de Lídio Lopes. Tal descoberta levantou questões sobre a legitimidade da utilização dos recursos financeiros na campanha.
Um dos pontos mais críticos do caso foi a tentativa de suborno durante a abordagem policial. José, ao perceber a gravidade da situação, ofereceu R$ 5 mil para cada policial a fim de evitar sua detenção, o que acabou resultando em sua prisão em flagrante. Esse ato de corrupção complicou ainda mais seu cenário judicial e político.
As repercussões deste incidente estão apenas começando. A exoneração de José Antônio deverá ser acompanhada de perto, assim como as consequências legais derivadas de sua prisão e as respostas do deputado Lídio Lopes e de sua assessoria, que até o fechamento desta reportagem não havia se manifestado. Este caso destaca a relevância da transparência nas campanhas eleitorais e a presença de ritos éticos na política brasileira.

