O Instagram retirou o áudio de um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em 20 de outubro de 2026. O vídeo abordava as dificuldades enfrentadas por moradores do Nordeste e recebeu a notificação devido a questões de direitos autorais relacionados à música utilizada. Além da significativa mensagem social, o conteúdo continha a legenda provocativa “O Nordeste que foi esquecido”.
A canção que estava presente na publicação é “Grão de Areia”, lançada em 2023 por Rubel em colaboração com Xande de Pilares.
A música é uma reflexão sobre a identidade e as experiências da cultura nordestina, e seu trecho instrumental foi utilizado para dar suporte emocional e contextual aos depoimentos dos moradores. Este tipo de música tem um forte apelo no cenário atual, especialmente em uma época em que o Nordeste tem sido um foco importante no campo político e eleitoral, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma base de apoio sólida.
Em termos de popularidade, o vídeo atingiu incríveis 137 milhões de visualizações, além de contar com mais de 6,9 milhões de curtidas e 1,2 milhão de comentários, mesmo após a remoção do áudio.
Esse grande engajamento destaca a relevância do conteúdo e a conexão com o público.
Após a retirada do áudio, Nikolas Ferreira não hesitou em criticar a decisão do Instagram. Ele afirmou que a plataforma havia silenciado a voz dos nordestinos que foram retratados no vídeo.
Em comentários feitos nos stories, o deputado sugeriu que Rubel teria solicitado a remoção do áudio por meio da Sony Music Brasil, a gravadora responsável pela canção.
“A Sony foi acionada pelo o Rubel para derrubar o som. Ninguém mais pediu, só ele […] No fim, um petista calou a voz dos nordestinos”, declarou Nikolas, evidenciando a tensão política envolvida na questão.
Em resposta às alegações, a Meta, a empresa que controla o Instagram, afirmou que a remoção do áudio ocorreu devido a uma solicitação de direitos autorais, mas não forneceu detalhes sobre quem fez o pedido. Isso deixou muitas questões sem respostas em relação ao processo de autorização de músicas em conteúdos digitais.
Por sua vez, Xande de Pilares comentou que não tinha autoridade para autorizar o uso da canção em plataformas digitais, enfatizando que esse poder cabe aos titulares dos direitos autorais.
Ele destacou a complexidade de questões envolvendo propriedade intelectual, especialmente em casos de uso comercial de obras artísticas.
Esta situação não apenas destaca os desafios que artistas enfrentam ao compartilhar sua música nas redes sociais, mas também levanta questões sobre a dinâmica entre direitos autorais e liberdade de expressão, especialmente em locais onde a política e a cultura se entrelaçam profundamente.

