A safra de algodão 2025/26 em Mato Grosso, um dos principais estados produtores do Brasil, apresenta um cenário preocupante, com apenas 13,11% da área semeada colhida até a última semana de julho. Essa taxa de colheita representa um atraso significativo em relação ao mesmo período da temporada anterior.
O analista de mercado Pery Pedro aponta dois fatores principais que contribuem para esse atraso. Primeiramente, a soja, que ocupa uma parcela considerável das lavouras no estado, foi plantada mais tarde por conta das chuvas.
Isso gerou um efeito dominó: estima-se que mais de 70% do algodão em Mato Grosso é semeado logo após a soja durante a safrinha. Dessa forma, qualquer atraso na soja acaba refletindo diretamente no calendário do algodão.
Além disso, Pery destacou que as condições climáticas forçaram parte do soja a ser replantada, o que fez com que o plantio do algodão ocorresse fora da janela de plantio ideal. A expectativa é que cerca de 14% da área cultivada de algodão tenha sido plantada fora do momento mais propício, que geralmente ocorre em janeiro, tornando a situação mais crítica.
De acordo com informações do Instituto Mato-grossense de Economia e Agropecuária (Imea), a colheita do milho no estado apresentou cifras bem mais animadoras, alcançando 78,92% da área cultivada.
Em contrapartida, a colheita de algodão em Mato Grosso é a mais baixa média registrada nos últimos cinco anos, cuja média é de 20,97%.
Esse contraste reflete não só as variáveis climáticas, mas também a dinâmica de mercado e a forma como cada cultura é manejada nas propriedades rurais do estado. Informações recentes mostram que regiões específicas, como o Nordeste, conseguiram avançar significativamente, atingindo até 46,80% da colheita, enquanto o Sudeste ficou com 22,12%.
A situação atual também repercute nos preços do algodão. O Imea registrou uma queda de 3,16% no valor do caroço em comparação ao ano passado, resultando em um preço de R$ 856,47 por tonelada.
O boletim do instituto ainda revelou que a comercialização da pluma da safra 2026/27 chegou a 29,35% da produção estimada em julho, um número relativamente baixo considerando a agilidade necessária para movimentar as colheitas.
Na safra anterior, 2025/26, o volume de produção negociado alcançou 73,01% do que era previsto. No entanto, apesar da queda nas taxas de colheita, o Imea aumentou suas estimativas de produtividade da safra 2025/26 para 310,67 arrobas por hectare, resultando em uma projeção de produção de 6,41 milhões de toneladas de caroço de algodão no estado.
O consultor Pery Pedro ainda enfatiza que a produtividade atual do algodão brasileiro nunca foi tão elevada. Nos últimos dez anos, a média em arrobas de pluma aumentou de 90 para quase 130, colocando o Brasil em uma posição competitiva em relação a países como a Austrália, onde 85% do algodão é cultivado de forma irrigada.
Por último, a Anea (Associação Nacional dos Exportadores de Algodão) projetou uma safra brasileira para 2025/26 de 4,006 milhões de toneladas, além de uma expectativa de exportação de 3,359 milhões de toneladas para 2026.
Esses números retratam um setor que, embora enfrente desafios, também vislumbra oportunidades de crescimento e fortalecimento no mercado global de algodão.