Peritos criminais federais da Polícia Federal (PF) levantam preocupações sobre o impacto que a diminuição do quadro de servidores pode ter em investigações fundamentais. Em um cenário de déficit significativo, onde a PF conta atualmente com cerca de 1.000 peritos ativos, a falta de aproximadamente 120 profissionais em cargos vagos é apenas a ponta do iceberg.
De acordo com a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), a deterioração do efetivo é ainda mais alarmante: estima-se que cerca de 30% dos peritos em atividade estarão aptos à aposentadoria voluntária até 2028. Isso indica que a necessidade urgente de reposição não está sendo atendida adequadamente, o que poderá pressionar ainda mais as investigações em andamento.
A função dos peritos é crucial em investigações que requerem a produção de provas científicas, envolvendo temas complexos como corrupção, lavagem de dinheiro e crimes cibernéticos. Um exemplo emblemático é o caso do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujos celulares estão sob análise em investigações ligadas às fraudes do Master.
Além disso, apurações sobre atividades ilegais em garimpos situados em terras indígenas e a extração não autorizada de minerais dependem diretamente do trabalho de perícia que pode ser comprometido pela falta de profissionais qualificados. Este déficit não afeta apenas a qualidade da investigação, mas também a celeridade das apurações, tornando-as mais morosas e suscetíveis a erros.
Os dados da APCF revelam que apenas 1,6% dos peritos ativos ingressaram na PF nos últimos cinco anos, enquanto uma proporção alarmante de 77% do efetivo possui 45 anos ou mais. Com isso, uma mudança de geração iminente pode resultar em uma perda substancial da experiência acumulada se não forem feitos esforços para nuanças qualificações.
Além das aposentadorias, quase metade dos peritos no quadro atual se juntou à instituição em um intervalo de cinco anos, o que aumenta o risco de uma saída concentrada, com a perda de profissionais valiosos que poderiam continuar contribuindo para a eficiência das investigações.
A APCF está fazendo um apelo à Direção-Geral da PF, solicitando a convocação de todos os aprovados no último concurso da instituição, visando a recomposição efetiva da carreira. A urgência da situação é evidente, dado o caráter sensível das investigações que dependem da atuação desses peritos.
A CNN procurou a Polícia Federal para obter esclarecimentos sobre o impacto do déficit de peritos e a possibilidade de prejuízo nas investigações. No entanto, não houve resposta até o momento, o que levanta ainda mais questões sobre a gestão e planejamento estratégico da corporação diante de um desafio tão significativo.