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Duplicação da BR-153: quanto tempo pode ser economizado?

A duplicação da BR-153, uma das principais rodovias do Brasil, promete transformar significativamente a dinâmica do tráfego nesse importante corredor de transporte. Mais do que apenas um aumento de 10 km/h no limite de velocidade, essa alteração visa otimizar a fluidez do trânsito, que é frequentemente obstruído por caminhões e longos trechos de pista simples.

O estudo realizado pelo portal Mais Goiás ilustra como a mudança pode impactar o tempo de viagem. Com um cenário em que o tráfego é contínuo, a diferença teórica no tempo de deslocamento nos 421,7 quilômetros ainda em pista simples é de cerca de 23 minutos.

Essa avaliação se concentra nos 703,6 quilômetros da BR-153 em Goiás, dos quais apenas 281,9 quilômetros estão duplicados, representando 40% da extensão total em 2026.

O cálculo é baseado em velocidades regulamentadas. Por exemplo, um percurso de 421,7 quilômetros leva aproximadamente 4 horas e 13 minutos a 100 km/h, que é o limite em pistas simples. Se o mesmo percurso fosse feito em uma pista duplicada, a 110 km/h, o tempo de viagem cairia para cerca de 3 horas e 50 minutos, resultando em uma economia teórica de 23 minutos.

No entanto, é vital destacar que este cálculo não leva em consideração fatores que afetam o trânsito, como pedágios, obras, congestionamentos e acidentes.

Para os caminhões, a situação se complica. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece um limite de 90 km/h para veículos pesados em ambos os tipos de rodovias. Portanto, a redução de tempo não é tão impactante quanto para veículos leves, já que a duplicação não altera diretamente o limite de velocidade dos caminhões.

No entanto, a duplicação facilita a circulação e, consequentemente, a regularidade do fluxo, diminuindo as perdas de velocidade causadas pela interação entre veículos de diferentes desempenhos.

Outro aspecto crucial da duplicação é a segurança. Em Goiás, as ultrapassagens indevidas são uma das principais causas de acidentes. Em 2025, foram registrados 69 acidentes fatais relacionados a essas infrações, com 118 feridos e 29 mortes.

Este cenário alarmante levou a Polícia Rodoviária Federal (PRF) a intensificar a fiscalização, especialmente em trechos críticos da BR-153. Em uma operação específica em julho de 2025, cerca de mil ultrapassagens indevidas foram registradas.

Embora a duplicação não elimine os acidentes, ela fornece uma alternativa mais segura para ultrapassagens, reduzindo a necessidade de uso da faixa contrária. Isso é um passo importante na diminuição dos conflitos típicos das rodovias de pista simples.

Em setembro de 2026, a ANTT anunciou que está monitorando o andamento das obras de duplicação e melhorias, incluindo instalação de passarelas, acessos e dispositivos de segurança ao longo das BRs 153, 080 e 414.

O programa atual abrange a duplicação de 60,48 quilômetros entre Goiás e Tocantins.

Para entender completamente o quanto a duplicação pode economizar em tempo de viagem, seria preciso uma análise mais profunda que considere a velocidade média operacional, a quantidade de caminhões, o volume de tráfego e a formação de filas. O número de 23 minutos representa uma análise teórica; portanto, é essencial avaliar o desempenho real ao longo dos trechos duplicados após a conclusão das obras.

A duplicação da BR-153 é um passo significativo para melhorar a qualidade do transporte na região, mas ainda existem desafios, especialmente no que diz respeito às questões de segurança e à eficiência do tráfego. O sucesso das intervenções será mensurado não só por um aumento nas velocidades médias, mas também pela capacidade de garantir um fluxo de trânsito mais seguro e regular, reduzindo filas e melhorando a experiência dos motoristas na rodovia.

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