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O enigma de Michelle Bolsonaro na disputa pela presidência do Senado

Eleita senadora pelo Distrito Federal com votação recorde, Michelle Bolsonaro (PL) se destaca na disputa pelo cargo de presidente do Senado. Nesta corrida, ela se torna um ponto de ambiguidade para os opositores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), que buscam apoios para enfrentar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atual presidente e candidato a mais dois anos de mandato. A eleição ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027.

Marinho anunciou oficialmente sua candidatura em 4 de novembro de 2026, em um evento na sede do PL, ao lado do presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, e da maioria da nova bancada de 29 senadores do partido. Ele conta também com o apoio dos três senadores do Novo e do ex-secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, eleito pelo Progressistas. No entanto, Michelle não compareceu ao lançamento, alegando estar preparando o almoço para Jair Bolsonaro, o que levanta questionamentos sobre seu apoio a um dos candidatos.

Embora a justificativa de sua ausência possa ser verdadeira, isso não dissolve as incertezas em torno de qual candidato receberá o apoio da ex-primeira-dama. Antes do anúncio de Flávio Bolsonaro sobre seu vice, ela já havia tentado influenciar o Progressistas para apoiar Tereza Cristina, mas o partido optou pela neutralidade no primeiro turno. Além disso, Michelle tem demonstrado um forte compromisso com a promoção de mulheres conservadoras na política.

Com Tereza Cristina na corrida, Damares Alves (Republicanos-DF), amiga e aliada de Michelle, se tornou sua principal apoiadora. Damares ressalta que Tereza possui as qualidades necessárias para liderar pautas conservadoras. “A Tereza reúne dureza e austeridade com serenidade para tocar nossas pautas sem abrir mão dos nossos valores”, afirma. Questionada sobre uma das prioridades de campanha, Damares foi direta: “Impeachment de ministros do Supremo que pisarem na bola — ou já pisaram.”

Essa ênfase na pauta do impeachment pode explicar a hesitação de Michelle em se posicionar publicamente na disputa. Damares já havia comentado que Michelle é cautelosa em suas declarações, temendo reações de Alexandre de Moraes, do STF, que poderia interpretar suas ações como violações das proibições impostas a Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar.

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