Na mais recente visita a Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar sua contraparte americana, Donald Trump, chamando-o de “imperador” e expressando preocupação com as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Lula ressaltou que é legítimo que Trump governe os Estados Unidos, mas questionou a legitimidade das intervenções de Trump nas políticas de outros países, incluindo o Brasil. “Desejo que haja respeito mútuo. Não é aceitável que um país imponha sua vontade sobre outro”, afirmou.
Outro ponto polêmico discutido na entrevista foi a interferência dos EUA na política da Venezuela. Lula criticou as ações de Washington, afirmando que a soberania venezuelana foi comprometida. A declaração ocorre em um contexto onde o governo Trump está diretamente envolvido na crise política venezuelana, especialmente após a captura do presidente Nicolás Maduro.
“A soberania do país acabou. Isso não é benéfico para a democracia, nem para a Venezuela ou para os Estados Unidos”, continuou Lula, expressando preocupação sobre como essa intervenção poderá afetar a estabilidade regional.
No que diz respeito às taxas comerciais, Lula sublinhou que as tarifas impostas pelo governo americano são baseadas em informações erradas. Em julho, os EUA implementaram uma tarifa de 25% sobre algumas importações do Brasil, alegando práticas comerciais prejudiciais.
“Estamos abertos à negociação, mas o governo americano precisa parar de agir como um império”, disse Lula, mencionando que buscará novos parceiros comerciais caso a situação não mude.
Durante a entrevista, Lula também comentou sobre o novo grupo de países, denominado P4M – Parceiros pelo Multilateralismo, que envolve o Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia. Essa iniciativa é um esforço para fortalecer alianças em tempos de crescente individualismo e desunião global.
Ainda no contexto das eleições no Brasil, Lula fez um apelo à unidade e ao respeito mútuo entre as nações e os povos, afirmando que o multilateralismo deve ser uma prioridade para garantir um comércio justo e equitativo. E, ao se preparar para o discurso na Assembleia Geral da ONU, enfatizou a importância de temas como a democracia e a justiça social.
Em sua fala, Lula também não deixou de criticar Eduardo Bolsonaro, o filho do ex-presidente, chamando-o de “traidor” e questionando suas ações no exterior, que segundo Lula, não representam os interesses nacionais.
