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Michelle Bolsonaro se destaca politicamente após eleições de 2026, enquanto Flávio enfrenta derrocada

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi a integrante da família Bolsonaro que saiu politicamente mais fortalecida das eleições de 2026, conforme avaliação do cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Enquanto Flávio Bolsonaro teve uma derrota significativa na disputa presidencial e deixou o Brasil em direção aos Estados Unidos, Michelle conquistou uma cadeira no Senado, assumindo um papel de destaque como porta-voz de Jair Bolsonaro.

Em um programa apresentado por Marcela Rahal, Prando destacou que a trajetória política de Michelle parece promissora, indicando que ela pode estabelecer sua própria identidade, distanciando-se momentaneamente dos demais membros da família. Isso foi possível em parte por conta de uma mensagem publicada nas redes sociais, onde a senadora eleita defendeu a união da direita, destacando que o ex-presidente Jair Bolsonaro não culpa aliados pela derrota de Flávio e continua a reconhecer figuras importantes que estão sob crítica, como o governador Tarcísio de Freitas e a deputada Damares Alves.

Prando reforçou que a posição de Michelle contrasta com a situação de outros membros da família e enfatizou que a candidatura presidencial preferida por setores do Centrão e do mercado era uma chapa com Tarcísio de Freitas e Michelle na vice-presidência. Essa alternativa, no entanto, foi descartada quando Jair Bolsonaro decidiu apoiar Flávio na corrida presidencial.

Com um mandato garantido de oito anos no Senado, Michelle preservou atributos políticos importantes, como o carisma e a relação com o eleitorado evangélico, além de demonstrar a capacidade de se distanciar discretamente de certos integrantes da família durante a campanha. Um exemplo foi seu rompimento público com Flávio, que se seguiu de uma reconciliação, mas Michelle não se alinhou totalmente à candidatura de seu enteado.

A nova posição de Michelle foi também discutida pelo jornalista Diogo Schelp, que participou do debate. Ele apontou que a publicação nas redes sociais tem duas mensagens políticas principais: a primeira destaca que Jair Bolsonaro ainda é visto como a principal liderança da direita brasileira, mesmo diante de limitações por conta de sua prisão domiciliar. A segunda expõe Michelle como a responsável por transmitir as diretrizes de Bolsonaro aos aliados.

Schelp ressaltou que esse movimento é um esforço de conter a fragmentação da direita e garantir que o isolamento da família não favoreça o surgimento de novas lideranças. Contudo, ele alertou que será interessante observar se Michelle manterá essa posição de destaque, especialmente se outros integrantes da família tentarem também se colocar como porta-vozes do ex-presidente.

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