O Nordeste, região que abriga 43,5 milhões de eleitores, se posiciona como a crucial arena na reta final da disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Com 27,42% do eleitorado nacional, o Nordeste se revela vital para os candidatos que buscam uma virada nas intenções de voto em um cenário em que ambos aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas de opinião.
Lula, que conquistou 63,77% dos votos válidos na região no primeiro turno, encara a missão de ampliar essa vantagem em relação a Flávio Bolsonaro. Sua estratégia inclui visitas a estados como Bahia, Maranhão, Pernambuco e Sergipe, aproveitando a base política de governadores e senadores aliados. O ex-presidente também tem apostado em uma produção direcionada de conteúdo digital, enfatizando a proteção e ampliação do Bolsa Família, crítica ao seu adversário, que tenta descreditar. Essas peças de campanha buscam solidificar sua imagem como defensor dos programas sociais, contrapondo-se às alegações de que Flávio pretende acabar com eles.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro, que em comparação a Jair Bolsonaro em 2022, ganhou 1,6 milhão de votos a mais, pretende direcionar sua campanha a eleitores que apoiaram Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), totalizando mais de 5,6 milhões de votos em potencial. No entanto, ele não elegeu governadores ou senadores nos estados onde Lula é forte, e por isso sua campanha se esforça em trazer influenciadores locais e figuras apresentáveis para atrair o eleitorado.
Ato contínuo, deputados da base de Flávio foram enviados para estados nordestinos com agendas de campanha intensas. Personalidades como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanatto (PL-SP) e Mariana Carvalho (PL-MA) têm sido destaque em eventos que remetem a blocos de carnaval, uma estratégia visando atrair a atenção do eleitorado, especialmente dos jovens.
Para ampliar a presença digital e impactar o eleitorado nordestino, Nikolas Ferreira produziu um vídeo onde moradores expressam insatisfação com promessas não cumpridas por Lula. A peça viralizou rapidamente, alcançando 108 milhões de visualizações no Instagram e 6,6 milhões no X, destacando a relevância do ambiente virtual na disputa política atual.
No contexto eleitoral, o Rio Grande do Norte emerge como o único estado nordestino que terá segundo turno para o governo. O ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), e o ex-secretário de Fazenda, Cadu de Lula (PT), competirão pela vaga. Enquanto isso, Lula consolidou uma vitória de 59,75% dos votos válidos neste estado, superando Flávio por 25 pontos percentuais, um desempenho que revela a configuração de forças dentro da região, que como um todo, a diferença com Lula é de cerca de 32 pontos percentuais.
Em suma, o Nordeste se tornou o palco da batalha decisiva entre dois candidatos que representam visões opostas. A forma como cada campanha mobiliza recursos, abordagens digitais e aliados regionais poderá determinar não apenas o futuro eleitoral dos candidatos, mas também o futuro político e social da região num Brasil cada vez mais polarizado.

