A Polícia Federal (PF) convocou o policial federal Danilo Campetti para prestar depoimento na próxima terça-feira, dia 25 de agosto de 2026. A investigação gira em torno de um ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, onde um boneco inflável do presidente Lula foi apresentado vestido de presidiário e supostamente ‘prendido’ por Campetti.
Campetti, que atualmente é candidato a deputado estadual, já possui um histórico ligado a Lula, sendo um dos policiais que efetivaram a prisão do ex-presidente em 7 de abril de 2018. Ele também estava presente no episódio da condução coercitiva de Lula em março de 2016, quando ainda era investigado na Operação Lava Jato.
Após essas situações, em 2018, Campetti começou a prestar serviços de segurança ao então candidato Jair Bolsonaro, e desde então se mostrou próximo ao futuro presidente.
Sua lealdade ao governo Bolsonaro foi reconhecida em 2021, quando o presidente o homenageou publicamente no Palácio do Planalto.
Na corrida eleitoral de 2022, Campetti se lançou candidato a deputado estadual pelo partido Republicanos. Durante sua campanha, utilizou uma imagem que o retratava prendendo Lula, o que se mostrou uma estratégia polêmica e controversa.
Em um caso separado, Campetti se viu envolto em um tiroteio em Paraisópolis, onde uma pessoa foi morta. Embora estivesse de folga da Polícia Federal, ele exibiu seu distintivo durante o incidente, gerando questionamentos sobre seu comportamento e o uso do cargo em situações de conflito.
Apesar de não ter sido eleito naquela eleição, Campetti assumiu um cargo no governo estadual de São Paulo ao ser cedido por Tarcísio de Freitas, que era o governador à época.
Sua cessão foi breve, pois em junho de 2023, a PF solicitou seu retorno e abriu um processo disciplinar relacionado ao caso de Paraisópolis, resultando em sua suspensão por 180 dias.
Com a reorganização do secretariado de Tarcísio, uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi aberta, permitindo que Campetti assumisse a cadeira de deputado estadual em 27 de junho de 2024, cargo que ocupou até abril deste ano. Durante seu mandato, ocorreu o episódio do boneco inflável na Avenida Paulista.
O ofício da PF, que convocou Campetti, menciona que a análise de publicações nas redes sociais evidenciou sua presença ao lado do boneco inflável que retratava Lula como um presidiário durante um evento político no dia 1º de março de 2026. Campetti, no entanto, nega qualquer participação.
“Não tenho nada a ver com esse boneco. Os caras fizeram, levaram para um aniversário que eu não organizei. Na hora em que cheguei, pedi para tirar esse boneco,” argumentou.
Ele também questionou a legitimidade da convocação, alegando que apenas o presidente Lula ou o ministro da Justiça teriam autoridade para solicitar a abertura de um inquérito por crime contra a honra, o que não ocorreu nesse caso.
Em resposta às alegações, a Polícia Federal emitiu uma nota esclarecendo que não existe uma investigação criminal instaurada nem um Processo Administrativo Disciplinar que apure crime contra a honra do presidente.
A PF ressaltou que o que está em andamento é um procedimento administrativo disciplinar destinado somente ao esclarecimento dos fatos, o que não se confunde com uma investigação criminal formal.