Pesquisar

Usina ligada a Pivetta recebeu aportes de fundo citado em investigação da PF sobre caso Oi

Por Marcela Aguiar 
O dinheiro de um fundo citado pela Polícia Federal na investigação sobre o chamado escândalo da Oi passou pela estrutura financeira de uma usina ligada ao governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição. Documentos societários mostram que a Brasbio – Brasil Bioenergia S/A recebeu R$ 10,9 milhões do Green Lake Fundo de Investimentos em Participações, mencionado pela PF no caso.
O Green Lake aparece no contexto da Operação Heritage, deflagrada em 6 de agosto, que investiga a movimentação de R$ 308 milhões relacionada ao acordo firmado com a Oi.
O ex-governador Mauro Mendes, padrinho da candidatura de Pivetta e candidato ao Senado sofreu busca e apreensão na semana e é um dos principais investigados. Pivetta era o vice de Mendes quando a negociação foi feita. 
Aportes ocorreram entre 2024 e 2025
A Brasbio foi criada em outubro de 2023 pela VN São Vicente Geração Energia S/A, empresa pertencente ao grupo econômico de Pivetta.

A companhia está construindo uma usina em Uruçuí, no Piauí, empreendimento que demanda investimentos superiores a R$ 1 bilhão.

Os documentos analisados apontam que, entre junho de 2024 e julho de 2026, diferentes empresas participaram da capitalização da companhia.
O Green Lake realizou aportes de aproximadamente R$ 10,9 milhões. O primeiro ocorreu em junho de 2024, período posterior aos primeiros pagamentos realizados pelo Governo de Mato Grosso no âmbito do acordo envolvendo a Oi.
O fundo deixou formalmente o quadro societário da Brasbio em maio de 2025. Posteriormente, foi substituído pela GL Participações S/A, empresa que atualmente aparece com cerca de R$ 48,1 milhões em ações da companhia.
Além do Green Lake, também fizeram aportes empresas ligadas ao empresário e ex-secretário da Casa Civil de Mato Grosso, Mauro Carvalho.

A Vyas Energia Participações investiu R$ 1,8 milhão, enquanto a H4 Holding realizou aporte de aproximadamente R$ 3,7 milhões.

Somados os valores registrados para GL Participações, Green Lake, H4 Holding e Vyas Energia, os aportes relacionados às empresas mencionadas chegam a cerca de R$ 64,5 milhões.
Capital da empresa saltou de R$ 1 mil para R$ 370 milhões
Os documentos societários mostram ainda um crescimento expressivo do capital social da Brasbio.
Criada com capital de apenas R$ 1 mil, a empresa chegou a aproximadamente R$ 370 milhões de capital social em julho de 2026.
Parte dos recursos foi registrada por meio dos chamados Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital (AFAC), mecanismo pelo qual os sócios fazem aportes financeiros que posteriormente podem ser convertidos em participação acionária.
A capitalização da empresa também foi utilizada para dar suporte à obtenção de financiamentos destinados à construção da usina.
Segundo a reportagem, a Brasbio obteve R$ 150 milhões em empréstimos junto ao Banco do Nordeste e ao BNDES. Documentos também indicam a busca por uma linha de crédito de até R$ 850 milhões junto ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).
Fundo participou de decisões sobre financiamentos
Em março de 2025, quando o Green Lake ainda detinha aproximadamente 10% do capital social da Brasbio, seu representante participou de uma Assembleia Geral Extraordinária que aprovou a contratação de financiamentos que poderiam alcançar R$ 1 bilhão.
Na ocasião, foram autorizadas operações junto ao Banco do Nordeste, ao FNE e ao BNDES.
O fundo também participou da aprovação de garantias envolvendo ativos da usina, como terrenos, máquinas e equipamentos, além de mecanismos destinados a assegurar o pagamento dos financiamentos.
O que diz o governo
Procurada para comentar as informações, a Secretaria de Comunicação de Mato Grosso afirmou que Otaviano Pivetta não é investigado nem acusado pela Polícia Federal no caso.
Em nota, o governo também negou qualquer relação entre a Brasbio e a investigação da Operação Heritage e afirmou que a empresa é capitalizada exclusivamente com recursos de seus acionistas.
A administração estadual ressaltou que as operações societárias foram formalizadas, registradas e escrituradas e que os sócios declararam a licitude da origem dos recursos.
A nota também afirma que nenhum administrador, diretor ou integrante com poderes de gestão da Brasbio é investigado ou denunciado no caso. O governo classificou como indevidas eventuais associações entre a empresa e a investigação e afirmou que poderá adotar medidas cabíveis caso sejam divulgadas informações consideradas inverídicas.
Até o momento, portanto, o ponto central documentado é a existência de aportes realizados pelo Green Lake na Brasbio e a posterior participação de empresas relacionadas ao fundo na estrutura societária da usina.

A eventual origem dos recursos e sua relação com os valores investigados pela Polícia Federal dependem da apuração das autoridades.

* com informações PNB Online 

Mais recentes

Rolar para cima