O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, destacou nesta segunda-feira (10) a importância do economista Armínio Fraga em sua agenda econômica. Durante um almoço com CEOs e empresários realizado em São Paulo, Caiado mencionou Fraga como sua principal referência, indicando que suas conversas com o ex-presidente do Banco Central têm moldado sua perspectiva sobre a economia brasileira.
Em suas palavras, Caiado afirmou: “Armínio Fraga é a pessoa que eu mais converso hoje sobre economia. Ele passou a ser uma referência que eu busco para me orientar nessa área.” Essa declaração marca um alinhamento estratégico com uma figura reconhecida no cenário econômico nacional, dado que Fraga atuou como presidente do Banco Central durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e é considerado um dos principais economistas do Brasil.
Durante o encontro, Caiado também foi questionado sobre suas intenções para a economia caso seja eleito.
Ele indicou que pretende apresentar ao Congresso um pacote de reformas abrangente, que incluirá mudanças nas áreas trabalhista, administrativa, previdenciária e política.
Caiado ressaltou que deve haver uma apresentação clara de propostas antes de buscar a confiança do setor empresarial. Ele ressaltou: “Você não tem como ter um item só capaz de poder fazer com que você, empresário, acredite no governo. O governo tem que mostrar para você o que ele vai fazer e ali implementar aquilo, como reformas que você espera e que todos esperam.”
Entre as propostas de Caiado, está a revisão da legislação trabalhista, a qual ele afirma ter sido prejudicada por decisões do Supremo Tribunal Federal.
Em um evento anterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ele já havia defendido a necessidade de recuperar pontos da reforma trabalhista e apresentava uma reforma administrativa.
Caiado também está focado em discutir a sustentabilidade da Previdência, especialmente diante das mudanças demográficas que o Brasil enfrenta. Ele destacou a necessidade de revisar gastos públicos, que, segundo ele, foram considerados excessivos devido a políticas populistas em governos anteriores.
A reforma política também faz parte de sua agenda, com uma forte defesa da adoção do voto distrital, que ele acredita ser crucial para restaurar a ordem política no Brasil.
Em suas declarações, Caiado não hesitou em criticar o estado atual do presidencialismo brasileiro. Ele caracterizou a situação política do país como uma anarquia, afirmando: “O Brasil foi totalmente deformado.
Nós não temos um presidencialismo. Nós temos uma anarquia, uma desordem, uma cleptocracia, ou seja, um governo de corruptos.”
O pré-candidato enfatizou que a legitimidade e a eficácia do governo dependem em grande parte da moral e da autoridade do presidente, uma crítica que se torna ainda mais relevante em tempos de polarização política e de desconfiança nas instituições.
“Vai muito também da estatura de quem se elege o presidente,” concluiu Caiado, insinuando que a liderança deve ser exemplar para garantir a confiança do povo e a estabilidade do governo.