A candidata a vice-governadora do Tocantins, Lúcia Viana, do Psol, gerou grande repercussão ao declarar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio exorbitante de R$ 2 bilhões. Essa declaração, no entanto, foi cercada de controvérsias, visto que a lista de bens apresentada traz valores que estão em desacordo com o mercado, o que levanta suspeitas de erros de digitação ou omissões intencionais.
Viana, que é servidora pública de 64 anos e faz parte da chapa do candidato a governador Prof. Witer Naves pelo Psol, apresentou uma relação de bens que inclui alguns itens com precipitações numéricas inacreditáveis. Por exemplo, um Fiat Strada 2007 foi declarado ao TSE por R$ 15 milhões e um Toyota Etios 2015/2016 por R$ 35 milhões. Para efeito de comparação, as avaliações reais desses veículos, segundo a Tabela Fipe, são substancialmente mais baixas, cerca de R$ 30 mil e R$ 35 mil, respectivamente.
A declaração de patrimônio de Viana não para por aí. Ela também incluiu a informação de cinco imóveis com preços que surpreendem. Dois prédios residenciais foram listados cada um por R$ 150 milhões. Um prédio comercial teve seu valor declarado em R$ 500 milhões, enquanto que um outro prédio residencial foi avaliado em R$ 300 milhões. O verdadeiro destaque controverso é uma chácara que aparece com o valor impressionante de R$ 900 milhões.
Imóveis semelhantes à chácara, localizada no loteamento Lago Sul, em Palmas (TO), normalmente são anunciados por preços que variam entre R$ 120 mil e R$ 1 milhão, o que convenhamos, evidencia a discrepância na avaliação feita por Viana. Essa situação instiga questionamentos sobre a precisão das informações apresentadas.
A situação envolvendo a declaração de bens de Lúcia Viana traz à tona não apenas um desafio de transparência dentro do ambiente político, mas também uma reflexão sobre a credibilidade das informações submetidas ao TSE. Além disso, ressalta a importância da correta comunicação patrimonial dos candidatos, que deve servir de ferramenta para a população avaliar a integridade de seus representantes.
Em um período em que a sociedade se torna mais crítica e vigilante em relação à ética na política, esse episódio pode reforçar a necessidade de um rigor maior na fiscalização das declarações de bens por parte das autoridades judiciais e eleitorais.
A declaração de um patrimônio tão desproporcional pode acarretar desdobramentos não apenas na candidatura de Viana como também em sua reputação. A comunidade eleitoral tem um papel crucial em exigir esclarecimentos em situações que fogem das normativas esperadas. A internet, como meio de disseminação de informação, poderá intensificar a pressão sobre a candidata, criando um ambiente de escrutínio mais acentuado em relação à sua trajetória e patrimônio.
O episódio da vice-candidata do Psol reafirma a importância de um eleitorado bem informado e ativo, observando atentamente as ações e declarações dos candidatos durante o período eleitoral.