A corrida presidencial de 2026 se acirra nos dias que antecedem a votação, marcada para 4 de outubro. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam não apenas votos, mas também a narrativa eleitoral. A possibilidade de Flávio vencer já no primeiro turno é um tema recorrente em sua campanha, com o candidato manifestando otimismo sobre essa meta.
Entretanto, as mais recentes pesquisas indicam que essa vitória no primeiro turno é uma expectativa bem distante da realidade. A três semanas da eleição, os números apresentam Lula em uma posição de vantagem, apontando que Flávio ainda não conseguiu consolidar o apoio necessário para reivindicar uma vitória imediata.
De acordo com três institutos de pesquisa — Datafolha, Nexus/BTG Pactual e Quaest — os dados levantados entre 11 e 14 de setembro sinalizam uma distância de, no mínimo, 4 a 6 pontos percentuais em favor de Lula. Considere os números a seguir:
- **Quaest**: Lula 36%, Flávio 31%, Outros 16%
- **Nexus/BTG Pactual**: Lula 40%, Flávio 34%, Outros 15%
- **Datafolha**: Lula 39%, Flávio 35%, Outros 19%
Esses dados revelam que, para Flávio Bolsonaro conseguir uma vitória, ele precisaria não apenas manter sua atual quantidade de votos, mas também herdar as intenções de voto dos candidatos que se encontram na margem dos 15%.
A análise das intenções de voto não termina apenas na soma dos porcentuais. Flávio precisa de pelo menos 50% dos votos válidos mais um voto para conquistar a presidência no primeiro turno. Essa meta é difícil, dado que mesmo os números apresentados por alguns institutos indicam um teto máximo de 39% para o candidato do PL, enquanto Lula poderia chegar a até 44%.
Um fator crucial a se considerar é o comportamento do eleitorado. A pesquisa Nexus/BTG Pactual destaca que um percentual significativo dos eleitores do Lula, 44%, não compareceram às duas últimas eleições, fator que pode prejudicar a mobilização no dia da votação. Em comparação, Flávio apresenta uma taxa de não comparecimento de 28%.
A rejeição aos candidatos é uma característica marcante neste pleito. Tanto Flávio quanto Lula têm índices elevados de desaprovação, o que gera uma preocupação sobre a escolha de eleitores. Com a polarização, muitos eleitores podem optar por votar em candidatos de terceira via ou até mesmo anular/justificar o voto.
Este cenário acirrado torna a campanha de Flávio ainda mais estratégica, visto que ele deverá buscar não apenas consolidar seus votos como também se posicionar como o candidato menos rejeitado para conquistar a vitória no primeiro turno. Durante campanhas e atos políticos, Flávio tem enfatizado essa possibilidade: “Em nome de Jesus, vamos ganhar essa eleição no primeiro turno”.
A realidade da candidatura de Flávio Bolsonaro nos indica que vencer no primeiro turno é uma possibilidade remota a partir do panorama atual das pesquisas. O eleitorado polarizado, combinado com as incertezas sobre a comparecimento nas urnas, contribui para um ambiente onde a vitória parece mais provável no segundo turno. Na medida que os dias avançam até 4 de outubro, a mobilização e a mudança de estratégia serão determinantes para ambos os candidatos.