A inadimplência das famílias no crédito livre alcançou um alarmante 8% em agosto de 2026, marcando o maior nível desde que o Banco Central do Brasil começou a registrar esses dados em março de 2011. Este índice considera os empréstimos com pagamentos atrasados há mais de 90 dias e representou um aumento de 0,2 pontos percentuais em relação a julho e de 1 ponto percentual nos últimos doze meses.
O crédito livre, que abrange operações onde as condições são diretamente negociadas entre instituições financeiras e consumidores, inclui empréstimos pessoais e cartões de crédito. Além do aumento na inadimplência, as taxas de juros também subiram, passando de 60,3% ao ano em julho para 61,7% em agosto. Este acréscimo encarece tanto a obtenção de novos empréstimos quanto as dívidas já existentes, que estão sujeitas a oscilações nas taxas de juros.
A alta da inadimplência não se restringiu ao crédito livre. Ao considerar todos os empréstimos no sistema financeiro, a inadimplência das pessoas físicas também subiu, atingindo 6% em agosto, um aumento de 0,2 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Para as empresas, o cenário foi mais estável, com o índice permanecendo em 3,3%. No total de operações de crédito, a inadimplência subiu para 5%, comparado a 4,9% em julho.
Em agosto, o saldo total das operações de crédito às famílias atingiu R$ 4,7 trilhões, apresentando um crescimento de 0,8% no mês e de 10,5% nos últimos doze meses. Esse crescimento foi impulsionado principalmente por financiamentos de veículos, cartões de crédito rotativos e empréstimos consignados destinados a trabalhadores do setor privado.
Em julho, as últimas informações disponíveis mostram que o endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda disponível acumulada nos últimos doze meses, um leve aumento de 0,2 pontos percentuais comparado a junho. Por outro lado, a porcentagem da renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas ficou estável em 28,7%. Esta situação reflete um panorama financeiro desafiador e crescente para as famílias brasileiras.
Em resposta a esse cenário de crescente inadimplência, o governo lançou, no dia 25 de setembro, uma nova etapa do programa Desenrola Brasil, visando a renegociação de dívidas antigas. É importante ressaltar que esse anúncio ocorreu após o fechamento dos dados de agosto do Banco Central, portanto, ainda não é possível avaliar os efeitos dessa nova medida sobre os índices de inadimplência.

