O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclui sua campanha do primeiro turno sem efetuar uma visita ao estado da Paraíba, onde o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), atua. Essa decisão foi tomada após conselhos de aliados próximos, que argumentaram que a presença de Lula em estados com divisões nas chapas de apoio à sua reeleição poderia criar tensões e confusões políticas.
Cidades como Paraíba, Pernambuco e Alagoas foram citadas como locais estratégicos a serem evitados. Na Paraíba, a candidatura que Lula apoia é encabeçada por Lucas Ribeiro (PP), que conta com o ex-governador João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos) na disputa por uma vaga ao Senado.
Porém, ao contrário do que poderia se esperar, Lula não dá suporte à candidatura de Nabor, optando por alinhar-se a Azevêdo e ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que faz parte da chapa liderada por Cícero Lucena (MDB), concorrendo ao governo.
O clima é de desconforto, especialmente após um vídeo gravado em junho onde Lula manifesta seu apoio à reeleição de Veneziano, situação que não caiu bem para Hugo Motta. Mesmo não apoiando formalmente Nabor Wanderley, Lula não considera que este seja um adversário, havendo, segundo um membro da campanha petista, uma relação de aliança entre Wanderley e o presidente.
Com essa percepção, ficou claro que a estratégia da campanha de Lula resultou na decisão de não visitar a Paraíba. Esta informação foi revelada pela coluna de Igor Gadelha, do portal Metró.
Apesar da ausência, Hugo Motta demonstrou apoio à reeleição de Lula e participou, no último mês, de uma carreata em prol do presidente na Paraíba.
A campanha de Lula também passou por mudanças em Alagoas e Pernambuco, influenciada por solicitações destacadas. No caso de Alagoas, o clã Calheiros pediu esforço adicional, enquanto em Pernambuco, o candidato ao governo, João Campos (PSB), clamou por uma maior presença de Lula no estado.
Recentemente, a visita de Lula ao Recife ficou marcada por um episódio embaraçoso, onde a presença da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), no mesmo hotel em que o presidente estava hospedado levantou questões. Lula veio à capital pernambucana para um ato com Campos, que é adversário de Raquel, que, por sua vez, tenta desvincular sua campanha da disputa presidencial.
Ela fez, inclusive, gestos de aproximação ao atual presidente.
A relevância do apoio de Lula em Pernambuco permanece evidenciada, visto que durante o segundo turno em 2022, ele obteve impressionantes 66,93% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro (PL) ficou com apenas 33,07%. Contudo, as tensões recentes na campanha de Raquel, que inicialmente mostrava vantagem nas intenções de voto, se intensificaram após a divulgação de um vídeo em que a governadora sugere a realização de uma laqueadura em uma mulher sem o seu conhecimento.

