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TSE cobra explicações da Meta sobre alcance de Nikolas no Instagram

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, emitiu uma determinação na quinta-feira (22) solicitando que a Meta, empresa controladora do Instagram, apresente dados técnicos e métricas relevantes sobre o alcance das publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na plataforma.

Com um prazo de apenas 12 horas para cumprimento, a falta de resposta da Meta implicará em uma multa de R$ 100 mil por cada hora de atraso. Além do perfil do deputado, o empresário Pablo Marçal também está incluído nesta solicitação de dados.

Esta ação é parte de um processo movido pela Coligação “Brasil Pronto pra Mais”, que representa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que questiona a chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A urgência das informações é justificada pela proximidade do segundo turno das eleições, que ocorrerá no domingo (25), tornando inviável qualquer prorrogação no prazo estipulado para a entrega das métricas.

O ministro Cueva enfatizou a importância de ter acesso a dados precisos para avaliar o pedido de suspensão das recomendações de perfis de Nikolas e Marçal para usuários que não os seguem.

O corregedor destacou que a análise desse tipo de informação é essencial, especialmente em um contexto de possível manipulação algorítmica da distribuição de conteúdos políticos.

A Meta já havia recebido uma extensão excepcional de 24 horas anteriormente e havia apresentado algumas explicações preliminares. No entanto, as informações estavam aquém do necessário, especialmente no que se refere à origem das visualizações e à demografia de seguidores versus não seguidores.

A empresa justificou a falta de dados mais abrangentes com a necessidade de etapas adicionais de extração e validação técnica.

Segundo a decisão do TSE, a plataforma deve fornecer relatórios detalhados que apresentem visualizações brutas, número de contas alcançadas, reproduções repetidas e como os mecanismos automáticos de recomendação contribuíram para a disseminação de conteúdos.

O corregedor também comparou a situação da Meta com a do X (antigo Twitter), que já havia cumprido uma requisição judicial anterior e fornecido dados que indicavam o impacto direto dos algoritmos nas visualizações políticas.

Nos registros do X, observou-se que o perfil de Nikolas Ferreira esteve sob um filtro interno, denominado “Brazil2026ElectionFilter”, entre 25 de agosto e 14 de outubro de 2026. Durante esse período, uma significativa porcentagem, entre 80% e 91%, das impressões na conta vieram de seus próprios seguidores. Após a desativação do filtro, entre 14 e 18 de outubro, essa porcentagem caiu drasticamente para apenas 28% a 41%, sugerindo que as visualizações passaram a depender fortemente da distribuição algorítmica para usuários não seguidores.

O padrão de alcance incomum registrado nas postagens recentes de Nikolas, incluindo um vídeo que abordava críticas de nordestinos ao presidente Lula, levou à apresentação de novos pedidos urgentes pela coligação.

O ministro Cueva decidiu manter a análise sobre o bloqueio das recomendações dos perfis de Nikolas e Marçal em sigilo, até que a Meta forneça os relatórios requeridos. Após a entrega da documentação, a Coligação “Brasil Pronto pra Mais” terá um período de 24 horas para apresentar suas considerações sobre os dados disponibilizados.

A ação do TSE ocorre em um momento crítico, onde a manipulação da informação e os algoritmos têm gerado discussões acaloradas sobre a integridade das eleições. Também foram registrados outros episódios relevantes, como o pedido de Lula para que Mendonça atue como um “árbitro” na divulgação de sigilos, além de uma determinação de Nunes Marques para que a Meta revise conteúdos relacionados a Janones e Lula no WhatsApp.

A complexidade deste cenário evidencia o papel crucial que as mídias sociais desempenham nas eleições contemporâneas, levantando questões sobre a necessidade de maior transparência e responsabilidade das plataformas digitais na gestão e distribuição de conteúdos políticos.

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