Mais de 200 drones ucranianos foram lançados contra Moscou nesta quinta-feira, em uma das maiores ofensivas do tipo desde o início da guerra. Em meio à troca de ataques entre Rússia e Ucrânia, bombardeios deixaram pelo menos cinco mortos nos dois países, sendo dois em Kiev e três em território russo, segundo autoridades locais. “A maior parte [dos drones] foi neutralizada pelos sistemas de defesa”, escreveu o prefeito da capital russa, Sergey Sobyanin, no Telegram.
Segundo ele, dez drones foram destruídos quando se aproximavam da cidade. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças interceptaram ao menos 375 drones ucranianos durante a noite sobre 18 regiões do país, além da Crimeia, do Mar Negro e do Mar de Azov. Entenda: UE amplia apoio à Ucrânia com acordo sobre drones e prorroga proteção a refugiados Análise: Nem aumento do custo da guerra derrota teimosia de Putin na Ucrânia Os ataques ucranianos também atingiram a base aérea de Engels-2, na região de Saratov, considerada um centro estratégico para a aviação de longo alcance da Rússia.
O chefe do Centro de Combate à Desinformação do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, Andriy Kovalenko, afirmou que “Engels está em chamas”. Nos últimos meses, a Ucrânia vem ampliando significativamente sua campanha de drones — chamada em Kiev de “sanções de longo alcance” —, mirando grandes cidades russas, infraestrutura petrolífera, além de alvos militares e logísticos. Os relatos de Sobyanin, porém, sugerem que esta semana tem sido especialmente intensa: até esta quinta-feira, o prefeito havia informado que mais de 1,2 mil drones ucranianos voaram em direção a Moscou nos sete dias anteriores.
O Ministério da Defesa da Rússia divulga apenas o número de drones ucranianos e outros projéteis que afirma ter interceptado. Já Sobyanin publica atualizações em tempo real quando drones ucranianos são abatidos enquanto seguem em direção à capital. Desde o início deste ano, Sobyanin informou o abatimento de 1.420 drones ucranianos que se aproximavam de Moscou, segundo publicações analisadas pela ABC News.
Ao longo de todo o ano de 2025, o prefeito havia relatado apenas 734 drones ucranianos abatidos nas proximidades da cidade. Ofensivas: Crimeia declara situação de emergência após onda de ataques ucranianos com mais de 600 drones Em razão das ofensivas, a agência federal de transporte aéreo russa, Rosaviatsiya, impôs restrições temporárias de voos em oito aeroportos do país, incluindo os quatro terminais internacionais de Moscou. Enquanto isso, a Rússia voltou a bombardear a Ucrânia durante a madrugada.
Em Kiev, duas pessoas morreram e pelo menos cinco ficaram feridas, segundo autoridades locais. O ataque ocorreu poucas horas depois da visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que esteve na capital ucraniana para reforçar a parceria de defesa entre a União Europeia (UE) e a Ucrânia. Durante sua visita, foi anunciado um “acordo sobre drones” para ampliar a produção conjunta da tecnologia usada no campo de batalha.
Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Rússia lançou durante a noite 13 mísseis, oito deles balísticos, além de 151 drones contra o país. A Força Aérea da Ucrânia afirmou que 12 mísseis e 129 drones foram interceptados, neutralizados ou não alcançaram seus alvos, mas seis mísseis e 16 drones atingiram 15 localidades, incluindo as áreas de Kiev, Kharkiv, Sumy, Zaporizhzhia, e Donetsk. “Moscou aposta no terror por meio de mísseis balísticos e continua seus ataques”, escreveu Zelensky no Telegram.
Estudo: Guerra na Ucrânia já deixou mais de 2 milhões de militares mortos ou feridos A capital ucraniana tem sido alvo frequente de ataques russos com mísseis balísticos desde o mês passado. Kiev enfrenta escassez de mísseis PAC-3 para seus sistemas Patriot, de fabricação americana, considerados essenciais para interceptar esse tipo de projétil. Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a intenção de autorizar a Ucrânia a produzir mísseis para os sistemas Patriot.
Na quarta, Zelensky afirmou que a produção poderá começar antes do fim deste ano. Mais de quatro anos após Moscou lançar sua invasão em larga escala contra a Ucrânia, Zelensky tem deixado claro que a intenção de Kiev é levar a guerra de volta ao território russo. Em maio, o líder ucraniano afirmou que as respostas de Kiev ao “prolongamento da guerra pela Rússia e aos ataques contra nossas cidades e comunidades são completamente justas”, acrescentando: “A região de Moscou tem a maior concentração de sistemas de defesa aérea da Rússia.
Mas estamos conseguindo romper essa barreira”.