Na avaliação de destacados economistas brasileiros, a situação fiscal do país exige atenção urgente. Alexandre Schwartsman e Ana Paula Vescovi alertam que, caso o próximo governo não implemente um ajuste nas contas públicas, o Brasil poderá enfrentar um cenário de deterioração econômica acentuada. Eles enfatizam a necessidade de um conjunto abrangente de medidas que visem a correção do déficit fiscal, essencial para garantir um crescimento sustentável.
A ex-secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi, não hesita em descrever o cenário atual como preocupante. “Estamos lidando com uma deterioração crescente, que poderá se agravar se não formos proativos na resolução dos problemas fiscais”, afirma. O consultor Schwartsman complementa que, embora ainda não se possa falar em crise, há “sintomas absolutamente preocupantes” em relação à trajetória da dívida pública brasileira, que já atinge cifras alarmantes.
Um dos principais efeitos da insustentabilidade fiscal é a permanência de juros altos. Segundo Schwartsman, essa realidade torna a vida de empresas e famílias ainda mais difícil, uma vez que afeta diretamente o custo de capital. “O ajuste fiscal não é um fim em si mesmo. Ele é essencial para mitigar as consequências que isso traz ao restante da economia”, explica o economista, observando que a alta taxa de juros real já prejudica a viabilidade financeira de muitos negócios, levando até empresas de grande porte a cogitar recuperação judicial.
A experiência dos últimos anos revela que o aumento da dívida não se justifica com a arrecadação crescente e a melhoria dos indicadores econômicos, pois os índices de endividamento têm permanecido alarmantes quando comparados a métricas internacionais. “Com um ajuste fiscal sério, podemos reduzir a taxa de juros, estimulando o crescimento e permitindo que famílias e empresas tenham acesso a condições financeiras melhores”, afirma Vescovi.
Um dos pontos levantados pela ex-secretária é a necessidade de controle eficiente das despesas. Ela argumenta que o governo atual precisa sinalizar a sua intenção de controlar gastos públicos sem necessariamente cortar investimentos essenciais. “Estamos discutindo ideias de eficiência, não de cortes indiscriminados,” sublinha. Assim, ela enfatiza que a situação requer uma abordagem sensível e estratégica, que priorize investimentos em áreas críticas como educação e segurança pública, fundamentais para o desenvolvimento a longo prazo.
Por sua vez, Schwartsman alerta que a falta de disposição política para enfrentar a crise fiscal atual pode ser um grande risco. “O atual governo mostra resistência em discutir o ajuste fiscal, e essa falta de ação pode levar a um colapso maior no futuro”, afirma. Eles concordam que tanto o Executivo quanto o Legislativo precisam estar engajados nesse processo, para que as reformas necessárias sejam implementadas com o apoio de diferentes setores da sociedade.
As consequências da falta de um ajuste fiscal correto podem ser desastrosas não só para a economia, mas também para a vida cotidiana dos brasileiros. “Precisamos de um Estado que seja efetivo, uma vez que a qualidade dos serviços públicos está diretamente ligada à saúde financeira das contas públicas”, destaca Vescovi.
O chamado por uma reavaliação das políticas fiscais e a promoção de um debate aberto sobre a relação entre dívida pública e crescimento é essencial. “O que estamos clamando é por uma recriação do entendimento sobre como os serviços públicos podem ser otimizados, garantindo assim um ambiente propício para a prosperidade e inclusão social”, conclui Schwartsman, enfatizando que a sustentabilidade fiscal deve estar no centro das políticas públicas futuras.