Uso de Medicamentos Psicotrópicos em Alta
No contexto alarmante da Penitenciária Federal de Brasília, um relatório do MNPCT (Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura) revelou que pelo menos 70% dos detentos fazem uso de medicamentos psicotrópicos. Após uma inspeção em março de 2026, constatou-se que 52 dos 68 internos utilizavam esse tipo de medicação.
O MNPCT questiona a prática, sugerindo que os medicamentos podem estar sendo empregados como uma forma de ‘contenção química’. Este método, segundo o órgão, pode ocultar as manifestações de sofrimento psíquico enfrentadas pelos prisioneiros, ao invés de abordar suas causas estruturais, um problema que já perdura no sistema penitenciário.
Reações do Governo e Questões de Saúde Mental
A SENAPPEN, vinculada ao Ministério da Justiça, se defende, afirmando que os detentos têm acesso à assistência integral à saúde. A nota ressalta que a administração dos fármacos ocorre somente com base em avaliação clínica, seguindo rígidos protocolos de saúde.
No entanto, o MNPCT nota uma alta incidenza de sofrimento psíquico entre os detentos, relatando sintomas como ansiedade severa, ideação suicida e apatia. O documento sugere que as condições de reclusão e o regime de isolamento prolongado contribuem para um ambiente psicológico extremamente deteriorado.
Atendimentos Psicológicos Insuficientes
Outro ponto crítico no relatório é a insuficiência no número de atendimentos psicológicos: entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, apenas nove atendimentos foram realizados. Em contraste, foram registrados 60 atendimentos de saúde, embora o MNPCT não tenha conseguido confirmar quantos destes se referiam a consultas médicas.
O modelo do sistema de custódia, onde os internos são mantidos em celas por até 22 horas diárias, é identificado como um dos principais fatores que pioram a saúde mental dos prisioneiros, levando a uma situação de isolamento crônico.
Impacto das Restrições de Contato
Além dos problemas de saúde mental, o relatório destaca as restrições nas interações familiares. As visitas ocorrem por parlatórios, sem contato físico, o que gera um importante sofrimento emocional – não só para os presos, mas também para seus familiares, muitas vezes incluindo crianças.
Em relação aos atendimentos médicos, o MNPCT expressou preocupação com a prática da contenção mecânica, onde os detentos são algemados durante os atendimentos, um procedimento considerado contrário a normas de direitos humanos.
Recomendações para Melhorias
Diante da gravidade dos problemas identificados, o MNPCT fez diversas recomendações, incluindo um monitoramento contínuo da saúde mental dos detentos e a oferta de assistência em saúde mental mais integrada, adaptada à complexidade da situação na penitenciária.
O relatório é parte de uma análise mais ampla do sistema penitenciário do Distrito Federal, com o objetivo de prevenir a tortura e garantir que tratamentos desumanos não sejam a norma em instituições de detenção.