Por: Maria Eduarda Sá
A Polícia Federal apontou indícios de “interferência política direta” do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, nas negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 28 de setembro e divulgado após a retirada do sigilo, a PF afirma que Ibaneis participou de decisões estratégicas da operação, considerada fraudulenta pelos investigadores.
Segundo o documento, mensagens e registros das tratativas indicam que Ibaneis atuou na autorização dos valores do aumento de capital do BRB, na definição da expansão do banco e na validação de decisões consideradas críticas.
As conversas entre Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, e Vorcaro também foram analisadas pela PF.
Em outubro de 2024, Paulo demonstrou preocupação com a reação do mercado ao aumento de capital do BRB para viabilizar a compra do Master e ressaltou a necessidade de “dar sinais ao mercado”.
Para a PF, o ex-governador era consultado antes das decisões passarem pelos órgãos formais da instituição.
Ibaneis nega participação
A defesa de Ibaneis negou qualquer interferência nas negociações e afirmou ter recebido com tranquilidade a divulgação do relatório, que, segundo os advogados, reforça a posição apresentada desde o início do caso.
Os representantes afirmaram que Paulo Henrique tinha autonomia para conduzir as negociações em nome do BRB e que os contatos com Ibaneis ocorreram em contexto institucional, em razão dos cargos ocupados por ambos.
O nome de Ibaneis é mencionado pela PF apenas quatro vezes no relatório, sem que ele apareça como interlocutor direto nas mensagens com Daniel Vorcaro.
Sua equipe jurídica argumenta que as citações não justificam o responsabilizar pelas operações investigadas.

