O terceiro bloco do debate presidencial promovido pela TV Globo, ocorrido na sexta-feira (23), trouxe à tona temas cruciais que afetam diretamente a vida dos brasileiros, incluindo o endividamento das famílias e o combate ao crime organizado. Ambos os candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, mostraram-se preparados para discutir não apenas propostas, mas também as desigualdades e desafios enfrentados pelo povo brasileiro.
O formato do debate permitiu que os candidatos escolhessem os tópicos de sua preferência, e o endividamento foi a escolha inicial de Flávio. Ele utilizou o espaço para responsabilizar os juros altos e as políticas de gastos do governo pela crise financeira enfrentada por muitas famílias. Lula, por sua vez, defendeu a implementação de programas de renegociação de dívidas e apresentou uma nova medida que poderá “dar uma mãozinha” aos que estão em dificuldades financeiras.
Além do endividamento, outro tema debatido foi o ensino integral. Lula prometeu universalizar essa modalidade até o ensino médio, enfatizando o programa Pé-de-Meia, que visa incentivar a permanência dos estudantes na escola. Flávio não ficou em silêncio e criticou o orçamento destinado à educação, sugerindo que a prioridade deveria ser o ensino técnico e a Inteligência Artificial, argumentando que tais investimentos seriam mais benéficos para a formação profissional.
A questão da retomada de territórios dominados por facções criminosas também foi uma pauta significativa. Flávio Bolsonaro defendeu uma proposta mais rigorosa contra organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, classificando-os como organizações narcoterroristas. Ele prometeu endurecer as penas e reforçar as leis a fim de combater o narcotráfico de forma eficaz.
Em contraponto, Lula fez uma crítica ao adversário, alegando que suas promessas eram vazias e que não apresentavam resultados concretos. O ex-presidente lembrou o triste caso de Ana Clara, uma menina morta em 2021 no Rio de Janeiro, e questionou Flávio sobre sua defesa ao policial acusado de ser o autor do disparo. “O que leva um senador a defender um policial que deu tiro de fuzil numa menina de 5 anos?”, indagou Lula, ressaltando a sua preocupação com a segurança pública e o papel do Estado nessa questão.
Flávio respondeu enfatizando sua crença na inocência do policial e discursando a favor de uma política de segurança mais dura, que inclui a proposta de classificação de crimes e ajustes na maioridade penal. O candidato também sugeriu medidas extremas, como a castração química de estupradores, que provocou controvérsia e debate acalorado.
Lula, por sua vez, descreveu as propostas de Flávio como meras bravatas e reafirmou seu compromisso em criar um ministério voltado para a segurança pública, além de fortalecer a Polícia Federal. Ao final do bloco, os candidatos deixaram claro que o debate sobre a segurança pública e o endividamento é central para as eleições, refletindo as preocupações de uma população que vive, diariamente, os efeitos da violência e da crise econômica.
Enquanto Flávio atacava a gestão anterior, Lula tentava apresentar soluções concretas, mas ambos os lados mostravam que o caminho para a reestruturação do país ainda é longo e cheio de desafios. O debate não apenas expôs as estratégias eleitorais de cada candidato, mas também revelou as fissuras no tecido social brasileiro, onde crime e pobreza se entrelaçam de maneira alarmante.

