O Ministério do Meio Ambiente revelou que o governo do Amazonas, após solicitar ajuda federal para combater as queimadas florestais, decidiu rejeitar o apoio proposto. Na última atualização, a pasta esclareceu que uma equipe de brigadistas estava pronta para se deslocar, mas a gestão estadual optou por dispensá-la antes mesmo da mobilização.
Essa declaração se seguiu a uma entrevista do coronel Orleilso Muniz, comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, que alegou que as solicitações de ajuda haviam sido negadas, mesmo em áreas sob responsabilidade federal. Muniz afirmou que a equipe necessária para o combate aos focos de incêndio não foi enviada, o que levantou preocupações sobre a resposta do governo federal na região.
O Ministério do Meio Ambiente, por sua vez, contrapôs as afirmações do coronel Muniz, enfatizando que o governo federal já estava agindo no combate às queimadas no estado.
De acordo com a pasta, as primeiras aeronaves da União chegaram a Manaus durante o último sábado, reforçando a atuação do governo federal em um momento de necessidade crítica.
Além das aeronaves, foi anunciado que uma comitiva do governo federal, liderada pelo presidente Lula, deverá chegar à capital amazonense para acompanhar e coordenar as ações de combate aos incêndios. Essa iniciativa sublinha a preocupação da União diante da gravidade da situação, que se agravou consideravelmente nos últimos dias.
O relato do Ministério indica que o pedido de apoio foi realizado em 23 de setembro, quando as chamas começaram a se intensificar. Como resposta, o ministério mobilizou brigadistas através do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave destinada a emergências, proposto pelo Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus).
Contudo, uma semana após o pedido inicial, o governo estadual comunicou ao Ministério que não necessitava mais da equipe federal, afirmando que as chuvas que caíram na região ajudaram a atenuar os focos de incêndio.
Essa decisão, segundo a pasta federal, levou à dispensa da equipe que já havia sido mobilizada.
Desde o mês de setembro, a região amazônica tem registrado um aumento significativo no número e na intensidade dos incêndios florestais. Especialistas indicam que essa escalada pode estar ligada aos efeitos do fenômeno climático conhecido como El Niño, que provoca secas severas, especialmente no Norte do Brasil. A situação revela a complexidade do cenário ambiental e os desafios enfrentados por estados e pela União na luta contra as queimadas, que não afetam apenas o meio ambiente local, mas também têm consequências amplas sobre a biodiversidade e o clima global.

