Medida norte-americana que impõe taxas de 25% foi oficializada na última quarta-feira (15); Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável”.
O presidente Lula declarou nesta sexta-feira (17) que aguarda o pronunciamento do presidente americano, Donald Trump, antes de comentar as novas medidas tarifárias dos EUA.
A taxa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros foi oficializada pelo governo dos Estados Unidos na última quarta-feira (15). Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a decisão como “um marco lastimável” para as relações bilaterais e anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Vocês percebem que falei para caramba e não falei do tarifaço. Não vou falar porque a notícia tem que ser as nossas carretas e o tratamento das mulheres. Por isso, vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Vou mostrar que, contra o Brasil, ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira”, declarou o presidente durante visita à Carreta da Saúde da Mulher, no Rio de Janeiro.
O TARIFAÇO
A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, depois de o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil. O governo norte-americano apresentou a medida como resposta ao que classifica como práticas comerciais injustas.
O documento do USTR lista como alvos da apuração temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta.
Os bastidores e as negociações antes do tarifaço:
-
Ausência de discursos oficiais: Na audiência pública de 6 e 7 de julho, o governo brasileiro preferiu não enviar palestrantes, mantendo apenas membros da Embaixada em Washington como observadores.
-
Presença da oposição: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou no segundo dia do evento, mas sua intervenção não alterou os planos de Donald Trump.
-
Esforço diplomático travado: Houve intensas reuniões técnicas e cinco encontros de alto nível com Jamieson Greer (representante comercial dos EUA). O último esforço ocorreu na terça-feira (14), um dia antes da oficialização da tarifa.
-
Retaliação nas pautas: O Planalto considerou a taxação injusta e respondeu removendo temas como o Pix da mesa de negociações.
-
Previsão frustrada: No dia 13 de julho, o presidente Lula chegou a afirmar publicamente que o tarifaço seria evitado, sem explicar os fundamentos de sua análise.