O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para investigar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. A apuração foca na possível divulgação de informações sigilosas relacionadas à Operação Sem Desconto, que examina fraudes nos descontos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Essa ação foi desencadeada após a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF rejeitar um pedido de arquivamento do caso. O órgão federal sublinhou a necessidade de se aprofundar na investigação, buscando esclarecer se houve descumprimento de dever funcional, violação de sigilo ou quaisquer atos de improbidade administrativa.
A Operação Sem Desconto visa penalizar fraudes no sistema de concessão de benefícios do INSS, um problema que afeta milhões de brasileiros. As irregularidades podem incluir desde a aplicação indevida de descontos nas aposentadorias até a formação de esquemas utilizados para desviar recursos do sistema.
O caso se complica ainda mais em relação ao vínculo entre Rodrigues e o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), cuja liderança inclui José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse envolvimento gerou preocupações sobre a integridade da investigação e possíveis influências políticas.
Em entrevista ao ICL Notícias, Andrei Rodrigues reafirmou que o Sindnapi não era alvo de investigações naquele período. Ele esclareceu que as declarações feitas anteriormente foram mal interpretadas, enfatizando que nenhum dos dirigentes do sindicato, incluindo Frei Chico, estava sendo investigado.
“Respondendo muito objetivamente, o irmão do presidente Lula não é alvo da operação, não é investigado na operação”, reiterou Rodrigues, enquanto abordava as alegações.
O diretor ainda explicitou que as ações relacionadas ao sindicato e a outros foram motivadas por decisões judiciais que miravam no bloqueio de descontos que pareceram indevidos. Isso faz parte de uma série de investigações mais amplas para proteger os direitos dos aposentados e pensionistas.
Em maio de 2025, a Advocacia-Geral da União (AGU) excluiu o Sindnapi de pedidos iniciais de bloqueio de recursos, direcionados a ressarcir aposentados e pensionistas que foram prejudicados por fraudes. Naquele ano, o sindicato havia arrecadado R$ 90 milhões.
A AGU esclareceu que a seleção de entidades para os procedimentos legais baseou-se em apurações administrativas realizadas pelo INSS. Novas ações seriam adotadas em busca de reparar os danos causados às vítimas da fraude.
Por fim, em outubro de 2025, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), acentuou que havia indícios robustos de que integrantes do Sindnapi poderiam estar operando como uma organização criminosa. Os indícios apontam que os recursos obtidos através dos descontos fraudulentos estavam sendo utilizados em esquemas de lavagem de dinheiro, demonstrando a gravidade da situação e corroborando a necessidade de uma investigação minuciosa.
