A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) levantou preocupações significativas ao acusar a Polícia Federal (PF) de descumprir uma ordem judicial originada do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a execução de uma busca e apreensão nas dependências do advogado Willer Tomaz. O caso remonta à 7ª fase da Operação Sem Desconto, que busca investigar possíveis irregularidades em setores vinculados a contratos administrativos e envolve figuras políticas de destaque.
O Conselho Federal da OAB formalizou um pedido ao ministro André Mendonça, do STF, manifestando a intenção de se juntar ao processo como assistente. A alegação da OAB gira em torno da apreensão de eletrônicos e documentos, que segundo a entidade, continham informações sensíveis de vários clientes, protegidas pelo dever de sigilo profissional.
No último dia 4, as autoridades federais realizaram uma varredura no escritório de Willer Tomaz, resultando em uma apreensão massiva de celulares, notebooks, HDs e diversos outros equipamentos. A OAB destaca que, ao menos uma parte desses materiais, não possui vinculação direta com as investigações em curso e sua apreensão pode ferir o direito ao sigilo profissional.
O Papel de Willer Tomaz na Operação Sem Desconto
Willer Tomaz é mencionado pela PF como um elemento central na estrutura financeira de uma organização criminosa, que supostamente envolvia fraudes em contratos públicos, incluindo conexões com a esfera política, como familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA). No entanto, Tomaz nega todas as alegações e se defende, argumentando que as ações da PF têm sido incorretas e desproporcionais.
Um advogado presente durante a operação registrou objeções importantes, com a alegação de que a PF não respeitou determinações específicas estabelecidas pelo STF. Segundo o relato, os policiais se opuseram à exigência de que materiais protegidos por sigilo fossem tratados com cautela, indicando que deveriam ser primeiramente entregues ao relator.
A OAB também mencionou preocupações sobre a conduta dos agentes, que teriam registrado imagens de documentos usando celulares pessoais e compartilhado essas informações via WhatsApp. Essas práticas foram descritas como preocupantes, considerando a privacidade e proteção das informações do cliente.
A OAB não está questionando a legitimidade das investigações realizadas pela PF, mas destaca a importância de que as medidas respeitem os direitos constitucionais e o sigilo profissional. O pedido inclui que os dados e documentos apreendidos sejam mantidos sob sigilo e que qualquer material que não pertença à investigação seja encaminhado ao Judiciário para decisão prévia sobre seu tratamento.
Além disso, a OAB pediu à alta corte uma apuração sobre as circunstâncias em que a operação foi realizada, bem como sobre possíveis abusos durante o compartilhamento de documentos e imagens. Essa situação poderá criar precedentes importantes sobre a atuação da PF em futuras investigações envolvendo advogados e seus clientes.
As alegações da OAB trazem à tona uma discussão crítica sobre o equilíbrio entre a necessidade de investigações efetivas e a proteção dos direitos individuais, especialmente no contexto jurídico, onde a confiança e o sigilo são fundamentais. A resposta do STF e suas deliberações sobre este caso serão aguardadas com grande expectativa pela comunidade jurídica e pela sociedade em geral.