A deputada federal reeleita Duda Salabert, do PSOL em Minas Gerais, pediu ao Ministério Público de Minas Gerais a investigação da participação de crianças em um vídeo polêmico postado por seu colega na Câmara, Nikolas Ferreira, do PL. A solicitação ocorre em um contexto político acalorado, após as eleições que ocorreram em 4 de outubro de 2026, onde ambos os parlamentares foram reeleitos.
O vídeo, promovido por Ferreira no Dia das Crianças, apresenta jovens fazendo críticas à administração federal, ao Partido dos Trabalhadores e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é o rival de Flávio Bolsonaro, correligionário de Nikolas Ferreira, no segundo turno presidencial. As crianças no vídeo expressam frustração por não terem recebido presentes prometidos, alegando que “roubaram o dinheiro da vovó”, fazendo uma referência direta aos recursos públicos.
Uma das crianças menciona diretamente Lula, enquanto outra faz uma alusão a “Lulinha”, o primogênito do presidente.
Em sua postagem nas redes sociais, Duda Salabert justifica sua ação ao enfatizar o que rege o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que visa proteger a imagem, dignidade e integridade psicológica das crianças. Ela aventa que, mesmo com a autorização dos pais, isso não isenta a produção de estar em conformidade com as exigências legais.
Salabert argumenta que a exposição das crianças em um contexto político deve ser cuidadosamente avaliada.
Ao solicitar a investigação, a deputada destaca a necessidade de um alvará judicial para qualquer trabalho artístico que envolva crianças, ressaltando que o direito à liberdade de expressão das crianças deve ser defendido, porém não deve se sobrepor à proteção necessária nesta faixa etária.
“Quero que o Ministério Público apure se houve exploração da imagem infantil e se as crianças estavam cientes das falas que estavam desempenhando”, afirmou a deputada.
Ela também sugere que deve ser investigado se houve qualquer tipo de pagamento ou se a produção do vídeo exigia autorização judicial, frisando que a infância não deve ser utilizada como instrumento em disputas eleitorais.
Em resposta à ação de Duda Salabert, Nikolas Ferreira se manifestou através de um vídeo nas redes sociais, questionando as intenções da esquerda nesse tipo de crítica. Ferreira argumentou que as crianças têm o direito de se expressar e manifestar suas preferências políticas.
Ele também fez uma comparação com uma série de outras situações em que, segundo ele, a esquerda não se manifestou, como quando crianças foram expostas a conteúdos considerados inadequados, como durante paradas LGBTs ou em eventos orientados ao tráfico de drogas. Em seu desabafo, ele provoca, insinuando que as reações da esquerda aumentam a motivação dos pais para votarem contra suas propostas nas eleições.
A situação levanta debates sobre o papel das crianças na política e os limites da expressão política juvenil.
Com a polarização crescente entre grupos de ideologia oposta, questões sobre a utilização de crianças em campanhas e vídeos políticos emergem como um campo de batalha não apenas legal, mas também moral na atual dinâmica política brasileira.
Ambos os lados argumentam a favor e contra a participação das crianças na política, e o desfecho da situação poderá moldar futuras abordagens sobre a legalidade e a ética da utilização de imagens infantis em contextos de campanha e crítica.

