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Mabel insiste na retomada do BRT Norte-Sul em meio a preocupações de moradores

Por: Maria Eduarda Sá

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, deseja continuar as obras do Trecho I do Corredor BRT Norte-Sul, apesar dos impactos da intervenção sobre moradores e comerciantes da Avenida Rio Verde, alguns já notificados com ordem de despejo. 

Mesmo com a ordem de serviço assinada em julho, as obras estão paradas desde o final de agosto, após o Ministério Público Federal de Goiás (MPF-GO) restringir o avanço depois de identificar inconsistências técnicas e orçamentárias apresentadas pela Prefeitura. 

Mabel avalia recorrer à Justiça por meio de um mandado de segurança para tentar a liberação do projeto. 

Segundo o prefeito, a paralisação ameaça R$ 70 milhões em recursos federais destinados à ação. Já o MPF-GO cobra a correção das falhas antes de autorizar novas etapas.

Para os moradores da região, a discussão sobre a retomada das obras envolve uma preocupação que não começou com a atual paralisação: ter onde morar.

Em 2024, 24 famílias do Parque Amazônia já enfrentavam processos judiciais que ameaçavam a permanência no local. O caso foi levado à Justiça e, em dezembro daquele ano, uma negociação mediada pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) garantiu lotes regularizados no Setor Faiçalville a 13 dessas famílias.

Entre os casos, estava a família de Juraci Carvalho França, cuja mãe, Benedita Oliveira de Carvalho, morava no local desde 1979. Após o acordo, Juraci afirmou: “Mal estamos acreditando que isso chegou ao fim”. 

Contudo, a negociação não atendeu todos os envolvidos e em junho deste ano, a Prefeitura anunciou uma área no Jardim Balneário Meia Ponte para construir moradias a outras 22 famílias. Porém, não foi esclarecido quando as residências estarão disponíveis nem quais moradores serão atendidos. 

A preocupação não se limita a quem mora na avenida, mas também comerciantes notificados para desocupar os imóveis. Um proprietário de borracharia relatou a incerteza sobre mudar de endereço e os efeitos na sua renda, trabalhando há mais de 30 anos no local. 

A possível retomada das obras ainda deixa em aberto o destino de quem vive e trabalha na Avenida Rio Verde, que aguarda respostas definitivas da Prefeitura.

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